Centro Espírita Irmã Scheilla

"Crer em Deus, praticar o bem e buscar a verdade, eis a essência da Doutrina Espírita"

Irmã Scheilla

PENSAMENTO E PALAVRA

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Não vos enganeis: as más conversações corrompem os bons costumes. (I Coríntios, XV, 33).

É a influência negativa do mal, expressa por um linguajar inadequado ou por um proceder pouco elevado.

Toda construção se inicia no pensamento, concretizando-se depois pela ação. Com a palavra assim também o é. Pensamentos pouco moralizados se manifestam, logo mais, em palavras não edificantes, as quais deságuam em atos reprováveis, vindo tudo a se materializar numa resultante de sofrimentos.

Domar os pensamentos e manifestar essa tomada de posição por um palavrear comedido é a melhor forma de moldar o caráter e preparar uma vida equilibrada.

Disciplinar a mente corresponde à edificação de uma vida sólida, equilibrada e feliz, e isso se manifesta no equilíbrio do falar.

Erasmo, médium Esse Capelli,
do livro Reflexões à Sombra da Cruz

SETEMBRO AMARELO, EM DEFESA DA VIDA

CRYSTIANE FRAZÃO

Em referência à campanha Setembro Amarelo, com a finalidade de prevenir o suicídio, cabe a nós, espíritas, tendo o conhecimento da doutrina consoladora, levantar a bandeira da valorização da vida. A espiritualidade nos alerta na questão 880 de O Livro dos Espíritos (L.E.), que diz que o primeiro de todos os direitos naturais do homem é o de viver. Mas, então, por que cada dia mais vemos crescer as ideações suicidas e o número de óbitos autoprovocados? O desapontamento pela vida e a desesperança são fatores importantes que levam o homem a querer sair do momento de dor que vive.

Os espíritos amigos nos trazem em O Evangelho Segundo o Espiritismo, no capítulo VI, que “todos os sofrimentos encontram sua consolação na fé no futuro, sobre aquele que, pelo contrário, nada espera após esta vida, as aflições pesam com todo o seu peso”. As aflições do mundo terreno são ainda mais acentuadas pelo materialismo que se vive e é alimentado nos tempos atuais pelo próprio homem, fazendo com que este se afaste dos compromissos maiores, que é o do progresso espiritual.

Jesus disse: “Vinde a mim, vós todos que estais fatigados, e eu vos aliviarei”, e promete aos aflitos o consolo, mas condiciona a felicidade com o dever do amor e a caridade. Então, como explicar ser feliz por sofrer? O Evangelho nos explana que o Espiritismo revela que a causa das aflições está nas existências anteriores, onde o homem expia o seu passado e os sofrimentos são a purificação que assegura a felicidade nas existências futuras.

Emmanuel, por intermédio de Chico Xavier, disse que “escapamos da morte quantas vezes for preciso, mas da vida nunca nos livraremos”. O Espiritismo nos traz, então, a notícia da imortalidade, onde a morte acontece somente no corpo físico e não no espírito. A condição da imortalidade nos faz entender que o autoextermínio não é a melhor opção para os momentos de desventuras, e pelo contrário, nos traz a consciência do aumento dos débitos em relação à própria existência.

Nos elucida a questão 614 (L.E.) que “a lei natural é a Lei de Deus, sendo a única necessária à felicidade do homem, ela indica o que ele deve fazer ou não fazer e ele só se torna infeliz porque dela se afasta”. Assim, a felicidade está dentro das possibilidades de todos os homens e é pelo afastamento das Leis Divinas que o homem experimenta as adversidades e atribulações. Para tanto, a espiritualidade nos aponta que todos podem conhecer a lei de Deus, que nem todos vão compreendê-la de pronto. Mas há a certeza que um dia todos a compreenderão, pois é necessário que o progresso se realize.

É desafiador, meus irmãos! Todos que habitam no orbe terrestre são tentados a vencer as provocações do mal. E quando o homem titubear na tarefa do aprendizado? É dado a oportunidade da reencarnação. Deus impõe a encarnação a fim de que os homens cheguem à perfeição, como nos orienta a questão 132 (L.E.).

Na defesa da vida, o Espiritismo nos traz o bálsamo da imortalidade, do destino feliz e da reencarnação, onde a finalidade da existência na vida corpórea é o melhoramento progressivo da humanidade. Dentro desse princípio, o homem não tem o direito de dispor da sua própria vida, como nos alerta a espiritualidade na questão 944 (L.E.), ao nos dizer que “somente Deus tem esse direito. O suicídio voluntário é uma transgressão da lei”.

Meus irmãos, que os ensinamentos de Jesus à Luz do Espiritismo possam reconectar os homens a Deus, tendo Seus ensinamentos como bússola a direcionar a vida de todos nós.

CRYSTIANE FRAZÃO é palestrante do CEIS

MATEUS

EMÍDIO BRASILEIRO

O Livro ou o Evangelho de Mateus é o quadragésimo sétimo livro e o primeiro Evangelho da Bíblia. A tradição cristã atribui ao apóstolo Mateus como sua autoria. Foi escrito especialmente para cristãos de origem judaica e apresenta Jesus como o Messias prometido.

Mateus, também chamado Levi, foi um dos doze apóstolos de Jesus. Antes de seguir Jesus, exerceu a profissão de cobrador de impostos (publicano), atividade desprezada pelos judeus por estar ligada ao domínio romano. Jesus o chamou enquanto ele estava na coletoria de impostos (Mt 9:9). Mateus deixou tudo imediatamente para segui-lo, o que demonstrou conversão e desapego. 

Mateus acompanhou Jesus durante seu ministério, testemunhou seus ensinamentos, milagres, morte e ressurreição. Segundo a tradição, Mateus pregou o Evangelho em regiões como Etiópia, Pérsia ou Arábia. A forma de sua morte não é totalmente certa, mas a tradição o considera um mártir.

O Evangelho de Mateus possui 28 capítulos e pode ser dividido em 5 partes principais:

I – Infância de Jesus (caps. 1 – 2);
II – Início do ministério (caps. 3 – 7);
III – Missão e ensinamentos (caps. 8 – 13);
IV – Formação dos discípulos (caps. 14 – 20);
V – Paixão, morte e ressurreição (caps. 21 – 28).

O livro começa com a genealogia de Jesus e destaca sua descendência de Davi e de Abraão para mostrar o cumprimento das promessas messiânicas. Em seguida, relata o nascimento de Jesus: Maria concebeu pelo Espírito Santo, José a acolheu depois da orientação do anjo, e Jesus nasceu em Belém. Magos do Oriente chegaram guiados por uma estrela, reconheceram o Menino como rei e o adoraram. Herodes, com medo injustificado das profecias messiânicas, decretou a morte de todas as crianças do sexo masculino, com até dois anos de idade, na tentativa de acabar com a vida de Jesus; José, avisado em sonho, fugiu com Maria e Jesus para o Egito. Após a morte de Herodes, retornaram e se estabeleceram em Nazaré.

O ministério de Jesus começou com João Batista, que pregou o arrependimento no deserto. Jesus foi ao Jordão, foi batizado e recebeu a confirmação do Pai. Em seguida, foi conduzido ao deserto, onde enfrentou e venceu todas as tentações. Depois, fixou-se na Galileia e proclamou: “O Reino dos céus está próximo”. Chamou seus primeiros discípulos — Pedro, André, Tiago e João — e iniciou um amplo ministério de ensino, cura e anúncio do Reino.

No Sermão da Montanha, Jesus apresenta a ética do Reino: as bem-aventuranças, o aprofundamento da Lei, o amor aos inimigos, a oração do Pai Nosso, a prática da misericórdia, o valor da sinceridade interior e o chamado à confiança em Deus. Ele termina o Sermão com o sublime convite para a construção da vida sobre uma base sólida.

Depois disso, Mateus mostra uma série de sinais que demonstram a autoridade de Jesus sobre as doenças, a natureza, os espíritos e até sobre a morte: curou um leproso, o servo do centurião, a sogra de Pedro; acalmou a tempestade; libertou dois endemoninhados; curou um paralítico; ressuscitou a filha de Jairo; curou a mulher com fluxo de sangue, dois cegos e um mudo. Ao chamar Mateus, o publicano, reafirmou que veio para os pecadores.

Jesus enviou os Doze Apóstolos com instruções detalhadas a respeito da missão, da pobreza, da coragem e do discernimento. João Batista, preso, enviou discípulos; Jesus elogiou sua grandeza e denunciou a incredulidade das cidades que presenciaram milagres. Em seguida, declarou o convite universal: “Vinde a mim todos os que estais cansados.”

No conflito com os fariseus, Jesus explicou que misericórdia vale mais do que sacrifícios. Realizou curas no sábado, enfrentou acusações de agir por Belzebu e ensinou que o Reino cresce silencioso, como o grão de mostarda e o fermento. Em diversas parábolas — do semeador, do joio, do tesouro escondido, da pérola de grande valor e da rede — Jesus revelou os mistérios do Reino. Também foi rejeitado em Nazaré.

Depois da morte de João Batista, Jesus multiplicou os pães para cinco mil e depois para quatro mil pessoas, andou sobre as águas e continuou a ensinar a respeito da fé. Num momento decisivo, em Cesareia de Filipe, Pedro confessou que Jesus é o Cristo; Jesus anunciou sua paixão e começou a instruir a respeito do caminho da cruz. Logo depois ocorreu a Transfiguração no Monte Tabor, na presença de Pedro, Tiago e João.

Jesus continuou com os seus ensinamentos a respeito da humildade, do perdão ilimitado, da pureza de intenção e da vida comunitária. Em confrontos com fariseus, aprofundou temas como divórcio, riqueza e justiça. Abençoou as crianças e destacou a simplicidade como porta do Reino. No caminho para Jerusalém, contou parábolas que revelam o juízo e a misericórdia de Deus, como a dos trabalhadores da vinha, dos dois filhos, dos vinhateiros homicidas e das bodas reais.

Ao entrar em Jerusalém como Rei humilde, Jesus purificou o Templo e enfrentou longos debates com os líderes religiosos. Denunciou a hipocrisia dos fariseus com os famosos “ais” e lamentou Jerusalém. No discurso do Monte das Oliveiras, anunciou a destruição do Templo, vigílias escatológicas e parábolas finais a respeito da preparação: as dez virgens, os talentos e o juízo das nações.

Na Páscoa, uma mulher ungiu Jesus em Betânia. Na Última Ceia, anunciou a traição e o sacrifício e da nova aliança. No Getsêmani, orou em agonia até ser preso. Seguiram-se o julgamento religioso, a negação de Pedro, a condenação por Pilatos, as zombarias, a crucificação, a entrega do Espírito e o véu do Templo rasgado, o que marcou o impacto cósmico da morte do Messias. Ele foi sepultado e guardas foram postos para vigiar o túmulo.

No primeiro dia da semana, um anjo anunciou às mulheres que Jesus ressuscitou. Ele apareceu a elas e depois aos discípulos na Galileia, onde entregou a Grande Missão: “Ide, fazei discípulos de todas as nações” e encerrou o Evangelho com a promessa: “Eu estarei convosco todos os dias.”  

Em nossa obra Tratado dos Evangelhos, os Evangelhos de Mateus, Marcos, Lucas e João são estudados de forma profunda e criteriosa. Cada passagem evangélica é analisada à luz do contexto histórico, moral e espiritual, o que permite compreender não apenas os fatos narrados, mas, sobretudo, o sentido mais elevado de suas lições. Trata-se de um estudo que convida à reflexão, ao autoconhecimento e à vivência prática dos ensinamentos do Cristo no cotidiano.

EMÍDIO BRASILEIRO é escritor e palestrante do CEIS

A CRÍTICA

NILTEMAR JOSÉ MACHADO

Todas as pessoas aqui na Terra
Pensam em um dia criticar,
Esquecendo dos ensinamentos divinos
Que nos ensinam sempre a amar!

Nunca devemos criticar as pessoas
Por mais erros que elas cometam,
Mas nos colocarmos no lugar delas,
Para que um dia nos lembremos:

Fazer sempre o bem
É uma forma exemplar,
E nunca devemos olhar os erros dos outros
Para depois criticar.

Ninguém gosta de ser criticado
Pelos erros que acabou de cometer,
E todos nós gostaríamos
Que as pessoas nos olhassem com prazer.

Errar é uma coisa normal
Que todos nós temos que passar,
Para, a cada dia que se vai,
Errar menos e aprender.

Que a vida é passageira,
Nesta hora muito abençoada,
Onde Jesus Cristo é nosso Governador
E já nos ensinou onde é sua morada.

Irmã Scheilla, que está aqui presente,
Vem agora nos ensinar
Que devemos sempre seguir a Cristo
E ao nosso irmão não criticar!

Ainda nos afirma:
Antes de criticar, se coloque no lugar,
E veja se gostaria de ouvir a crítica
Ou se gostaria que viessem te amar.

Para encerrar o assunto,
Ela nos faz uma orientação:
Que nunca critique ninguém,
Porque aquela pessoa também é seu irmão!

NILTEMAR JOSÉ MACHADO é trabalhador do CEIS

Do banco da braça, Mestre Bino - Esse Capelli. O cientista, o caipira e o bode

DO BANCO DA PRAÇA – Mestre Bino

O CIENTISTA, O CAIPIRA E O BODE

Zé, o caipira, ouvia a discussão do patrão, um doutor, com os seus colegas, divagando sobre temas que não podia compreender. Falavam de clonagem, células tronco e avanços da genética. Zé ouvia, ao passo que puxava a fumaça do palheiro de fumo de rolo, quase cochilando. O bode reprodutor, de raça escolhida, pulava pra lá e pra cá, como se debochasse dos sábios que iam e vinham com suas teses incompreensíveis ao bode e ao caipira. O patrão, homem famoso e amedalhado por condecorações, olhou o caipira e o bode e disparou:

— Zé, enxota esse bode daqui.

— Patrão, deixa o bichinho brincar, ele tá ouvindo, ele também é cria de Deus.

Os companheiros riram do mote e o patrão retornou:

— Zé, daqui a algum tempo a ciência não vai mais precisar de Deus, ela vai clonar os bodes que desejar e sanear as molecagens desse aí.

— Doutor, eu quero ver é a ciência “fazer bodes” a partir do nada, pois se fizer com um pedacinho daquele que Ele fez, não tem graça nenhuma.

O patrão ouviu, gaguejou, enquanto o caipira completou:

— Vai ser bom mesmo é quando essa tal de ciência fizer arroz e feijão “do nada” e clonar só político que tenha vergonha, não furte, não minta e seja honesto e bom como esse bode é, meu patrão.

Todos olharam, riram amarelo e calaram-se pensativos.

O homem da ciência tem poder,
Pode no conhecer avançar,
Também a vida bem melhorar,
Mas não dá o alento de viver.

CANTINHO DO ESPERANTO – Esperanto-angulo

EXISTÊNCIA DE DEUS

Conta-se que um velho árabe analfabeto orava com tanto fervor e com tanto carinho, cada noite, que, certa vez, o rico chefe de grande caravana chamou-o à sua presença e lhe perguntou:

— Por que oras com tanta fé? Como sabes que Deus existe, quando nem ao menos sabes ler?

O crente fiel respondeu:

— Grande senhor, conheço a existência de Nosso Pai Celeste pelos sinais dele.

— Como assim? — indagou o chefe, admirado.

O servo humilde explicou-se:

— Quando o senhor recebe uma carta de pessoa ausente, como reconhece quem a escreveu? 

— Pela letra.

— Quando o senhor recebe uma jóia, como é que se informa quanto ao autor dela?

— Pela marca do ourives.

O empregado sorriu e acrescentou:

— Quando ouve passos de animais, ao redor da tenda, como sabe, depois, se foi um carneiro, um cavalo ou um boi?

— Pelos rastros — respondeu o chefe, surpreendido.

Então, o velho crente convidou-o para fora da barraca e, mostrando-lhe o céu, onde a Lua brilhava, cercada por multidões de estrelas, exclamou, respeitoso:

— Senhor, aqueles sinais, lá em cima, não podem ser dos homens!

Nesse momento, o orgulhoso caravaneiro, de olhos lacrimosos, ajoelhou-se na areia e começou a orar também.

Francisco Cândido Xavier, Pai Nosso, pelo Espírito Meimei.

EKZISTO DE DIO

Oni rakontas, ke maljuna, analfabeta arabo preĝadis ĉiunokte kun tielaj fervoro kaj amo, ke la riĉa estro de granda karavano foje sendis voki lin kaj demandis:

Kial vi preĝas tiel fidoplene? Kiel vi scias, ke Dio ekzistas, se vi eĉ ne scias legi?

La fidela kredanto respondis:

— Grandsinjoro, mi scias pri la ekzisto de nia Ĉiela Patro laŭ liaj signoj.

— Kiel do? — la estro demandis kun miro.

La humila servanto klarigis:

— Kiam via sinjora moŝto ricevas leteron de forestanta persono, kiel vi rekonas la skribinton?

— Laŭ la skribkaraktero.

— Kiam mia sinjoro ricevas juvelon, kiel vi informiĝas pri ĝia aŭtoro?

— Laŭ la marko de la juvelisto.

La servanto ridetis kaj aldiris:

— Aūdinte paŝadon de bestoj ĉirkaŭ la tendo, kiel vi scias, ĉu tio estis ŝafo, ĉevalo aŭ bovo?

— Laŭ la piedsignoj — surprizite respondis la estro.

Tiam la maljuna kredanto invitis lin eksteren el la tendo, kaj montrante al li la ĉielon, kie la Luno brilis ĉirkaŭita per amasoj da steloj, li eldiris, respektoplene:

— Sinjoro, tiuj signoj tie supre ne povas esti de homoj!

En tiu momento, la fiera karavanestro, kun larmantaj okuloj, genuiĝis sur la sablo kaj ankaŭ komencis preĝi.

Francisco Cândido Xavier, Patro Nia, diktita de la Spirito Meimei.

DO BANCO DA PRAÇA – Mestre Bino

O VENENO DO ÓDIO

Um homem que fora agredido por um desafeto caminhava deixando vazar por todos os poros o incêndio do ódio. Monologava:

— Vou em busca de uma arma e voltarei para vingar-me.

Um ancião, marcado pela experiência da vida e que presenciara os fatos, chamou-o à reflexão:

— Meu filho, antes de alimentar a fogueira do ódio, ouça a história que vou contar. Um homem caminhava por uma trilha na floresta quando percebeu um tigre à sua frente. Em sua mente avolumou-se o dilema: enfrentar a fera ou deixá-la onde estava, tomando outro caminho?

O bom senso imperou. O viajante recuou um pouco e, hoje, vive feliz com sua família.

— Por que recuou? — alguém perguntou.

Ele prontamente respondeu:

— Se houvesse lutado com o tigre, certamente não poderia vencê-lo e, hoje, estaria estropiado ou morto, e a fera permaneceria a mesma, feliz, alimentada por minha carcaça.

O ancião calou-se por um instante e completou a lição:

— O ódio, meu filho, é o tigre que encontramos a cada momento na grande caminhada da vida, e só podemos vencê-lo pela força do amor e pela sabedoria da distância. Deixe quem o odeia onde está, perdoe-o e afaste-se. Amanhã, como o homem da história, você se encontrará feliz, sem ofender e sem ser ofendido.

Aprenda a deixar o que não lhe agrada onde está, sem confrontos, e siga o seu caminho, para que não perca a paz.

ONDE ESTÁ A VOSSA FÉ?

FERNANDO SAMUEL

A pergunta de Jesus que está registrada em Lucas 8:25 revela uma simplicidade típica das grandes lições de Cristo, porque narra um lago em fúria, a barca à deriva e os discípulos — homens experientes, alguns deles pescadores de toda a vida — tomados de pavor. Não era a primeira vez que enfrentavam tempestades. E, ainda assim, o medo os venceu.

Jesus acalma os ventos e as águas. Mas, antes de qualquer outra palavra, volta-se para aqueles que o seguiam e lança a pergunta que atravessa os séculos: “Onde está a vossa fé?”

Emmanuel nos convida a meditar sobre o alcance dessa interrogação (1). Jesus não pretendia repreender os discípulos, mas antes transmitir um novo ensinamento de amor. O Mestre não pergunta se havia fé, mas onde ela estava. A fé existia; estava apenas adormecida sob o peso do medo. A fé está conectada à centelha divina que existe em toda criatura humana, encarnada ou desencarnada.

A confiança verdadeira não se revela nos momentos de tranquilidade, quando o céu está aberto e os caminhos são largos, mas sim na hora das tempestades da vida. É no instante em que tudo parece obscuro e perdido que a fé encontra seu tempo próprio, sua hora de manifestar-se como força viva e não como mero ornamento espiritual.

Emmanuel lembra-nos que o socorro divino sempre vem. A misericórdia celestial é infinita e não abandona nenhum filho em sua hora de necessidade. Mas, vencida a dificuldade, a pergunta retorna, suave e firme: “Onde estava a vossa fé?”

E assim se dá o aprendizado da alma. Cada tempestade superada é uma aula. Cada obstáculo vencido com serenidade é um passo a mais na educação do espírito. Não somos poupados das provações, mas somos convidados a crescer através delas.

Que possamos, então, ao primeiro sinal da tormenta, buscar dentro de nós aquela centelha que nunca se apaga: a certeza silenciosa de que não estamos sós.

(1) XAVIER, Francisco C. Caminho, Verdade e Vida, cap. 40, “Tempo de Confiança”. 28 ed. Rio de Janeiro: FEB, 2012.

FERNANDO SAMUEL é palestrante do CEIS

PRESIDENTE:
Elcio Divino Rodrigues Cardoso

COORDENAÇÃO
João Marcos B. e Azevedo

COLABORADORES
Hary Milton – Álvaro Moreira

ILUSTRAÇÃO
Marcelo Tibúrcio Vanni

Órgão de Divulgação da Doutrina Espírita

DEPARTAMENTO EDITORIAL PROLUZ

E-mail: [email protected]

Contato: (62) 98105-5500

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