Centro Espírita Irmã Scheilla

"Crer em Deus, praticar o bem e buscar a verdade, eis a essência da Doutrina Espírita"

Irmã Scheilla

PENSAMENTO E PALAVRA

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Não vos enganeis: as más conversações corrompem os bons costumes. (I Coríntios, XV, 33).

É a influência negativa do mal, expressa por um linguajar inadequado ou por um proceder pouco elevado.

Toda construção se inicia no pensamento, concretizando-se depois pela ação. Com a palavra assim também o é. Pensamentos pouco moralizados se manifestam, logo mais, em palavras não edificantes, as quais deságuam em atos reprováveis, vindo tudo a se materializar numa resultante de sofrimentos.

Domar os pensamentos e manifestar essa tomada de posição por um palavrear comedido é a melhor forma de moldar o caráter e preparar uma vida equilibrada.

Disciplinar a mente corresponde à edificação de uma vida sólida, equilibrada e feliz, e isso se manifesta no equilíbrio do falar.

Erasmo, médium Esse Capelli,
do livro Reflexões à Sombra da Cruz

DO BANCO DA PRAÇA – Mestre Bino

O VENENO DO ÓDIO

Um homem que fora agredido por um desafeto caminhava deixando vazar por todos os poros o incêndio do ódio. Monologava:

— Vou em busca de uma arma e voltarei para vingar-me.

Um ancião, marcado pela experiência da vida e que presenciara os fatos, chamou-o à reflexão:

— Meu filho, antes de alimentar a fogueira do ódio, ouça a história que vou contar. Um homem caminhava por uma trilha na floresta quando percebeu um tigre à sua frente. Em sua mente avolumou-se o dilema: enfrentar a fera ou deixá-la onde estava, tomando outro caminho?

O bom senso imperou. O viajante recuou um pouco e, hoje, vive feliz com sua família.

— Por que recuou? — alguém perguntou.

Ele prontamente respondeu:

— Se houvesse lutado com o tigre, certamente não poderia vencê-lo e, hoje, estaria estropiado ou morto, e a fera permaneceria a mesma, feliz, alimentada por minha carcaça.

O ancião calou-se por um instante e completou a lição:

— O ódio, meu filho, é o tigre que encontramos a cada momento na grande caminhada da vida, e só podemos vencê-lo pela força do amor e pela sabedoria da distância. Deixe quem o odeia onde está, perdoe-o e afaste-se. Amanhã, como o homem da história, você se encontrará feliz, sem ofender e sem ser ofendido.

Aprenda a deixar o que não lhe agrada onde está, sem confrontos, e siga o seu caminho, para que não perca a paz.

ONDE ESTÁ A VOSSA FÉ?

FERNANDO SAMUEL

A pergunta de Jesus que está registrada em Lucas 8:25 revela uma simplicidade típica das grandes lições de Cristo, porque narra um lago em fúria, a barca à deriva e os discípulos — homens experientes, alguns deles pescadores de toda a vida — tomados de pavor. Não era a primeira vez que enfrentavam tempestades. E, ainda assim, o medo os venceu.

Jesus acalma os ventos e as águas. Mas, antes de qualquer outra palavra, volta-se para aqueles que o seguiam e lança a pergunta que atravessa os séculos: “Onde está a vossa fé?”

Emmanuel nos convida a meditar sobre o alcance dessa interrogação (1). Jesus não pretendia repreender os discípulos, mas antes transmitir um novo ensinamento de amor. O Mestre não pergunta se havia fé, mas onde ela estava. A fé existia; estava apenas adormecida sob o peso do medo. A fé está conectada à centelha divina que existe em toda criatura humana, encarnada ou desencarnada.

A confiança verdadeira não se revela nos momentos de tranquilidade, quando o céu está aberto e os caminhos são largos, mas sim na hora das tempestades da vida. É no instante em que tudo parece obscuro e perdido que a fé encontra seu tempo próprio, sua hora de manifestar-se como força viva e não como mero ornamento espiritual.

Emmanuel lembra-nos que o socorro divino sempre vem. A misericórdia celestial é infinita e não abandona nenhum filho em sua hora de necessidade. Mas, vencida a dificuldade, a pergunta retorna, suave e firme: “Onde estava a vossa fé?”

E assim se dá o aprendizado da alma. Cada tempestade superada é uma aula. Cada obstáculo vencido com serenidade é um passo a mais na educação do espírito. Não somos poupados das provações, mas somos convidados a crescer através delas.

Que possamos, então, ao primeiro sinal da tormenta, buscar dentro de nós aquela centelha que nunca se apaga: a certeza silenciosa de que não estamos sós.

(1) XAVIER, Francisco C. Caminho, Verdade e Vida, cap. 40, “Tempo de Confiança”. 28 ed. Rio de Janeiro: FEB, 2012.

FERNANDO SAMUEL é palestrante do CEIS

A POLARIZAÇÃO E O SEU ENTREMEIO

EURÍPEDES VELOSO

Por mais uno que seja um valor, uma substância ou algo considerado concreto em sua materialidade, haverá um marco intermediário, parte da sua estrutura. Tem início, meio e fim. Afinal, na nossa limitada condição, ainda dependemos de considerar todas as coisas estruturadas em limites.

Os limites, em nossa frágil compreensão, nada mais são do que a delimitação apenas do que podemos ver, sentir, medir e perceber. Considerando, ainda, os potenciais diferenciados das criaturas. Uns têm ouvidos de ouvir, outros não os têm. Uns têm olhos de ver, outros não os têm. Uns têm coração para sentir, outros não o têm. Daí, os gestos, as atitudes e as ações estarem na conformidade dos limites de cada um.

Esparzimos, na conformidade dos limites que somos capazes de estabelecer nas vivências, aquilo que colhemos em nosso campo mental, psíquico, emocional e sentimental, podendo, também, advir do que guardamos de espiritualidade.

Dessa forma, ante todos os estímulos, infinitos, nosso Eu promana em acordo com a nossa integralidade, emoldurada pelos estímulos que nos cercam e por nós aceitos.

Haverá sempre um intermédio, a modelar nossos caracteres e os traços da nossa personalidade. De todos os sistemas, da ordem progressiva da nossa cultura, a evolução da Humanidade é a maior das estruturas. Diz respeito ao ser criado, que se dota como princípio inteligente, peça essencial nos desígnios do Criador.

Sendo esse princípio inteligente um imutável axioma, espera-se que estejamos preparados para transitar no corredor ascensional.

Toda estrutura, em formação, tende a consolidar-se. Se ordenada pela Arquitetura Divina, por mais delongada, consolida-se. Permeamos esse trânsito por milênios e agora é chegada a hora dos últimos ajustes. O prazo de validade do planeta está em sua data derradeira. O período previsto está a esgotar-se.

Uma característica do orbe, quando nessa fase terminal, é pôr a criatura em conflitos íntimos, reverberados pela própria escolha. Se bem posto, resguardado por conquistas milenares, encontrará meios de proceder às escolhas que lhe sejam mais apropriadas. Se mal posto, resguardando-se ainda por antigas mazelas de egoísmo, de materialismo, da inteligência sem sentimentos, de um cinismo que esvai das máscaras, de uma frieza insensível às dores do próximo e de manejos enganadores de falsa retórica, não terá o que lhe garanta passos no caminho da elevação.

Nesse sublime momento das nossas existências, um fenômeno ocorre, próprio das transições planetárias do nosso nível. Somos colocados, emocionalmente, por necessidades de escolhas, no ponto médio da nossa estrutura.

Os caracteres, os traços de personalidade, fluem em tal ordem que nos fazem despir da roupagem efêmera com que nos vestimos ao longo dos séculos. Desmascarados, sem a indumentária fugaz, somos postos no estágio medial das nossas decisões. É como estar na plataforma média da extensa caminhada, ante uma encruzilhada.

Estatelados, quanto menos sabemos escolher a direção, mais efervescente será o nosso ego. Tentaremos encontrar soluções, mas só temos na bagagem a resultante do que plantamos nos passos anteriores. Havendo, contudo, tempo para o recomeço, dependendo da passagem que escolhermos. Preponderando as nossas tendências, a mostrarem o que somos. Se infelizes e persistentes na índole menos boa, nos valeremos ainda dos valores puramente terrenos, com teorias mirabolantes, com discursos inflamados, disseminando desventuras. Se felizes, na harmonia do bem, será mais fácil decifrar o roteiro. Mas é muito triste quando vemos pessoas emaranhadas em seus desequilíbrios, por falta de virtudes.

Uma forma de percebermos como estamos ante essa bifurcação do caminho é buscar a reforma íntima, pela qual nos seja possível perceber se ainda estamos guardando os clamores da contenda, do ódio, da falsidade nas expressões, da indiferença às dores dos que sofrem, da exclusão dos considerados diferentes, das diferenças sociais e físicas, ou se, simplesmente, em quaisquer circunstâncias, nos esforçamos para o entendimento amorável.

Sem contender, com olhares benevolentes. Sem a dependência de envolver-nos nas ideologias malsãs, contemplando mais os valores da alma, orando pela recomposição dos corruptos, sem barganhar valores espirituais por valores políticos, sem puxarmos tapetes para assumirmos cargos ou posições, por certo, no ponto de transição do inevitável cruzamento, teremos, guardada no coração, uma bússola a indicar o rumo onde está Nosso Senhor Jesus Cristo.

EURÍPEDES VELOSO é escritor, coordenador do Setor de Memórias da Federação Espírita do Estado de Goiás

O MEDO SOCIAL E A EVANGELIZAÇÃO INFANTIL

GIOVANIO ROSA

Então, Jesus disse: – Deixem vir a mim as crianças e não as impeçam, pois o Reino dos céus pertence aos que são semelhantes a elas (Mateus 19:14).

A evangelização cristã do indivíduo é o melhor roteiro para sua formação moral e espiritual, a pedagogia mais eficaz para a formação do caráter e a expansão dos bons sentimentos.

Jesus nos assevera que o Reino dos Céus pertence aos que se assemelham às crianças. Evidentemente, Ele se refere à simplicidade e à ingenuidade infantis. As crianças são espíritos antigos habitando corpos novos, ainda em formação, com o propósito principal de prosseguir na marcha evolutiva. Por isso, nessa fase da vida, mostram-se mais receptivas a novos conceitos e ensinamentos, abertas à compreensão das informações que lhes são oferecidas e, consequentemente, mais suscetíveis às reformas íntimas oriundas das experiências de outras existências.

Tradicionalmente, a evangelização cristã infantil tem como foco a pedagogia de Jesus, que, evidentemente, abrange todas as circunstâncias da vida individual e social do ser humano. A pedagogia é de Jesus, mas a didática é do evangelizador.

Diante do assombroso desafio de ensinar as crianças a se desvencilharem do egoísmo — sem qualquer viés ideológico, pois no Espiritismo não cabe, em hipótese alguma, qualquer ideologia —, nós, evangelizadores, temos também o desafio de ensinar as crianças, e principalmente os meninos, a serem bons namorados, bons ex-namorados, bons noivos, bons ex-noivos, bons maridos e, até mesmo, bons ex-maridos.

É necessário desconstruir a ideia do “me pertence”, do pensamento de que “se não ficar comigo, não ficará com mais ninguém”, origem de comportamentos que levam à agressão e até mesmo ao homicídio.

Pode parecer paradoxal falar em ensinar alguém a ser “ex”, visto que a construção da célula-máter da sociedade pressupõe o fortalecimento da família, e não a sua dissolução. Contudo, o que se busca é o combate ao egoísmo, ao ciúme doentio e ao orgulho ferido. Trata-se de ensinar o indivíduo, desde a infância, a lidar com as perdas, especialmente as de natureza afetiva, pois elas são, em muitos casos, o estopim que alimenta esse grave problema social, contribuindo para tantas desditas no ambiente familiar.

De um lado, resta quase sempre uma vítima; do outro, um criminoso.

Como afirmou um filósofo grego: “Se educarmos as crianças, não precisaremos punir os adultos.”

GIOVANIO ROSA é palestrante do CEIS

ACENDA UMA LUZ EM SUA CASA

FERNANDO PINHEIRO

É natural que tenhamos toda a nossa atenção em relação à nossa moradia física, seja uma casa, mansão ou uma choupana, seja um apartamento duplex ou quarto e sala, seja própria ou alugada. Todas elas são resultados físicos da união de diversos materiais, como tijolos, madeira, areia, cimento, ferro, vidro, etc., moldadas para abrigar as nossas famílias, com o objetivo de nos acolher, proteger e proporcionar descanso aos nossos corpos físicos. Para cuidar dessa CASA, é imprescindível adotarmos uma série de procedimentos: limpar e higienizar diariamente seus cômodos, além de pintar e reformar periodicamente, para a devida conservação e manutenção de seu ambiente físico; caso contrário, ela se tornaria um lugar desagradável.

Nesse ambiente físico, somadas às dezenas de todas as outras moradias circunvizinhas, são formados os bairros, as cidades, os estados e os países. Nós, os seres humanos, habitamos cada uma dessas unidades, formando famílias que, juntas, formam as comunidades, as sociedades, os povos e as nações.

Nesse momento, dois itens são formados individualmente: a CASA e o LAR, os quais passam a se diferenciar:

A CASA é a construção material, o teto, o espaço físico que habitamos. O LAR é o ambiente psíquico e moral construído pelo afeto, pela renúncia, pelo respeito mútuo e pela convivência familiar.

Família: essa que reúne almas com necessidades de aprendizado conjunto, formada por espíritos afetos e desafetos e em provações reencarnados com as funções de pais, filhos, irmãos, onde terão a oportunidade da convivência pacífica, mas também para buscarem a rearmonização e os reajustes do passado e, principalmente, a educação moral de todos os seus membros, para que, dessa forma, possam colaborar na reforma da sociedade. A FAMÍLIA é a célula da sociedade, e para que a sociedade seja equilibrada, harmônica e fraterna, esses princípios têm que ser formados no LAR.

Dessa forma, a Doutrina Espírita vem nos trazer a orientação indispensável de implantarmos em nossos LARES o ESTUDO DO EVANGELHO NO LAR, o qual trará benefícios como a harmonização familiar, a proteção espiritual, a limpeza fluídica do ambiente, além de fortalecer o estudo e a prática dos ensinamentos de Jesus, promovendo, pois, a PAZ e o equilíbrio mental dos integrantes da Família.

A implantação dessa prática é simples:

1- Escolha um dia por semana, fixando o mesmo horário.

2- Um local tranquilo e confortável, e colocar uma jarra de água para a fluidificação.

3- Convide, sem exigir, a presença de todos que estejam presentes na casa; se recusarem, faça sozinho, pois os espíritos estarão presentes.

4- Fazer leituras curtas e edificantes e, a seguir, prece de abertura simples e espontânea.

5- Fazer a leitura do trecho do Evangelho Segundo o Espiritismo, de preferência em sequência e dedicado a um ou dois itens.

6- Após a leitura, todos poderão fazer breves comentários, evidenciando o ensinamento moral, evitando a crítica ou a aplicação a outrem, mas deixando que cada um faça a sua própria reflexão interior.

7- Fazer o encerramento buscando as vibrações de paz, equilíbrio e fraternidade para toda a família e para toda a humanidade, além de vibrações específicas para alguém em especial.

8- Fazer a prece de encerramento simples e espontânea, agradecendo a Deus, a Jesus e aos bons espíritos, e beber a água fluidificada pelos espíritos presentes.

QUANDO A FAMÍLIA ORA, JESUS SE DEMORA NO LAR E A LUZ DO AMOR SE ACENDE.

FERNANDO PINHEIRO é palestrante do CEIS

MOMENTO ESSE CAPELLI

CARIDADE, CARIDADE…

Para o adepto da Doutrina Consoladora, a caridade é o luzeiro que aponta o caminho para a tarefa prática do bem. Todavia, é imperioso distinguir o ato mecânico de dar do gesto caritativo de doar-se. Não basta descartar os restos de nossa despensa em razão de sua inutilidade para nós; é necessário que o ato da doação se complete com o desejo efetivo de socorrer.

O espírita deve ter em conta que, em muitos casos, o beneficiário do auxílio valoriza muito mais a mão que socorre do que o pão que ela oferece.

Não esqueçamos, pois, que a palavra amiga, o conselho oportuno e o ensinamento correto podem ser mais úteis e desejados do que o valor material da oferenda. Também é judicioso considerar que o não oportuno vale mais do que o sim interesseiro e protelatório, e que a dor da verdade é mais edificante e consoladora do que a anestesia enganosa da mentira oportunista.

Ofereça o pão, mas faça-o balsamizado pelo amor. Ensine, encoraje e esclareça pela palavra amiga, e estará verdadeiramente praticando a caridade.

Para sua reflexão:
Um sorriso doce e uma palavra amiga fazem desvanecer toda tempestade de ódio.

Só existe uma maneira de chegar: caminhar.

Quem respeita o companheiro de viagem nunca termina a jornada sozinho.

Do opúsculo Falando aos Médiuns,
Esse Capelli

CANTINHO DO ESPERANTO – Esperanto-angulo

LIVRA-NOS DO MAL, PORQUE TEU É O REINO, O PODER E A GLÓRIA PARA SEMPRE. ASSIM SEJA!

O Senhor livrar-nos-á do mal; entretanto, é preciso que desejemos não errar.

Que dizer de um homem que pedisse socorro contra o incêndio, lançando gasolina na fogueira?

O reino da vida, com todas as suas notas de grandeza, pertence a Deus.

Todo o poder e toda a glória do Universo, todos os recursos e todas as possibilidades da existência são da Providência Divina, mas, em nosso círculo de ação, a vontade é nossa.

Se não ligamos nossos desejos à Lei do Bem, que procede do Céu, representando para nós a Vontade Paterna de Nosso Pai Celeste, não podemos aguardar harmonia e contentamento para o nosso coração.

Nas sombras do egoísmo, estaremos sozinhos, aflitos, perturbados e desalentados, porque o egoísmo quer dizer felicidade somente para nós, contra a felicidade dos outros.

Deus permitiu que a vontade seja um patrimônio propriamente nosso, a fim de que possamos adquirir a liberdade e a grandeza, o amor e a sabedoria, por nós mesmos, como filhos de sua infinita bondade.

Por isso, se somos escravos das nossas criações que, por vezes, gastamos muito tempo a retificar, continuamos sempre livres para desejar e imaginar.

E sabemos que qualquer serviço ou realização começa em nossos sentimentos e pensamentos.

Saibamos, desse modo, conservar a nossa vontade à luz da consciência reta, porque, rogando a Deus que nos liberte do mal, é preciso, por nossa vez, procurar o caminho do bem.

Francisco Cândido Xavier, Pai Nosso, pelo Espírito

LIBERIGU NIN DE LA MALBONO, ĈAR VIA ESTAS LA REGNO, KAJ LA POTENCO KAJ LA GLORO ETERNE. TIEL ESTU!

La Sinjoro ja liberigos nin de la malbono, sed estas necese, ke ni deziru ne erari.

Kion diri pri homo, kiu petus helpon kontraŭ brulo, ĵetante benzinon sur la fajron?

La regno de la vivo, kun ĉiuj siaj notoj de grandeco, apartenas al Dio.

La tuta potenco kaj la tuta gloro de la Universo, ĉiuj rimedoj kaj ĉiuj ebloj de la ekzistado fontas el la Dia Providenco, sed en nia sfero de agado la volo ja apartenas al ni.

Se ni ne ligas niajn dezirojn al la Leĝo de Bono, kiu venas de la Ĉielo kaj reprezentas por ni la Patran Volon de nia Ĉiela Patro, ni ne povas atendi harmonion kaj ĝojon por nia koro.

En la ombroj de egoismo ni restos solecaj, afliktitaj, maltrankvilaj kaj senkuraĝaj, ĉar egoismo signifas feliĉon nur por ni, kontraŭ la feliĉo de aliuloj.

Dio permesis, ke la volo estu nia propraĵo, por ke ni mem, kiel filoj de lia senfina boneco, akiru la liberecon kaj la grandecon, la amon kaj la saĝon.

Tial, se ni estas sklavoj de niaj verkoj, por kies korektado ni iafoje uzas longan tempon, ni tamen ĉiam restas liberaj por deziri kaj imagi.

Ni ja scias, ke ĉia servo aŭ realigo komenciĝas en niaj sentoj kaj pensoj.

Ni sciu do konservi nian volon sub la lumo de la rekta konscienco, ĉar petegante Dion, ke li liberigu nin de la malbono, ni starigas al ni la devon serĉi la vojon de la bono.

Francisco Cândido Xavier, Patro Nia, diktita de la Spirito Meimei.

O tratado dos evangelhos

O Evangelho de Mateus

Evangelho de Mateus é o primeiro livro do Novo Testamento e faz parte dos Evangelhos Sinóticos (juntamente com Marcos e Lucas), que compartilham uma estrutura semelhante. Ele foi escrito primariamente para um público judeu-cristão, apresentando Jesus como o Messias prometido e o cumprimento das profecias do Antigo Testamento.

Principais temas do Evangelho de Mateus:

  1. Jesus como o Messias e Rei – Mateus enfatiza a linhagem real de Jesus (descendente de Davi, Mt 1:1-17) e seu direito ao trono de Israel.
  2. Cumprimento das Profecias – Frequentemente cita o Antigo Testamento (ex.: “Isso aconteceu para que se cumprisse o que foi dito pelo profeta…”).
  3. O Reino dos Céus – Diferente de Marcos e Lucas, que usam “Reino de Deus”, Mateus (escrevendo para judeus) evita usar o nome de Deus diretamente.
  4. Os ensinamentos de Jesus – Inclui grandes discursos, como o Sermão da Montanha (Mt 5–7), as parábolas do Reino (Mt 13) e as instruções aos discípulos (Mt 10; 18; 24–25).
  5. A Igreja – É o único evangelho que menciona explicitamente a palavra “igreja” (Mt 16:18; 18:17).
  6. Julgamento e Justiça – Mateus destaca a importância da obediência à vontade de Deus (ex.: parábola dos talentos, Mt 25:14-30).

Diferenças entre Mateus e os outros Evangelhos:

EvangelhoPúblico-alvoÊnfaseCaracterísticas únicas
MateusJudeus-cristãosJesus como Messias e ReiFoco no cumprimento das profecias, estrutura organizada em discursos.
MarcosCristãos romanos (não-judeus)Jesus como Servo sofredorEstilo rápido e direto, focado em ação.
LucasGentios (especialmente Teófilo)Jesus como Salvador universalÊnfase na misericórdia, histórias de personagens marginalizados (ex.: bom samaritano).
JoãoPúblico geral (teológico)Jesus como Filho de DeusAbordagem mais reflexiva, com discursos profundos (ex.: “Eu sou o pão da vida”).

Destaques exclusivos de Mateus:

  • Genealogia de Jesus desde Abraão (Mt 1:1-17).
  • Visita dos magos (Mt 2:1-12).
  • Sermão da Montanha (Mt 5–7).
  • Instruções sobre disciplina na igreja (Mt 18:15-20).
  • Parábola do joio e do trigo (Mt 13:24-30).
  • Grande Comissão (Mt 28:18-20).

Enquanto Marcos é mais conciso e Lucas mais histórico e universal, Mateus organiza seus ensinamentos de forma temática, mostrando Jesus como o Mestre que cumpre a Lei (Mt 5:17) e estabelece uma nova aliança. Já João tem um estilo mais teológico, destacando a divindade de Cristo.

Evangelho de Mateus tem uma importância significativa para a Doutrina Espírita codificada por Allan Kardec, especialmente quando analisado sob a perspectiva de Léon Denis e dos comentários do espírito Emmanuel através das obras psicografadas por Chico Xavier. Vamos explorar esses aspectos em detalhes.

1. A Importância do Evangelho de Mateus para o Espiritismo (segundo Léon Denis)

Léon Denis, um dos principais continuadores da obra de Kardec, via o Evangelho de Mateus como um texto fundamental para a compreensão do Cristianismo redivivo, ou seja, o Cristianismo em sua essência moral e espiritual, livre dos dogmas e interpretações literais que, segundo ele, desvirtuaram a mensagem original de Jesus.

Principais Pontos da Linha Argumentativa de Léon Denis:

  1. Jesus como o Messias e a Reencarnação
    • Denis destaca que o Evangelho de Mateus contém várias passagens que, em sua visão, indicam a reencarnação, como a referência a Elias como sendo João Batista (Mateus 11:14-15) 14.
    • Ele argumenta que os primeiros cristãos acreditavam na pluralidade das existências, uma ideia posteriormente suprimida pela Igreja 14.
  2. A Moral Cristã como Base do Espiritismo
    • Denis enfatiza que o Sermão da Montanha (Mateus 5-7) é um dos pilares da ética espírita, pois ensina valores como caridade, humildade e perdão, essenciais para a evolução espiritual 11.
    • O Espiritismo, segundo Denis, não nega o Evangelho, mas o complementa, trazendo uma interpretação racional e livre de dogmas 6.
  3. A Ressurreição e as Manifestações Espirituais
    • Denis reinterpreta a ressurreição de Jesus (Mateus 28) como um fenômeno mediúnico e fluídico, não como um retorno do corpo físico, mas como uma aparição do corpo espiritual (perispírito) 14.
    • Ele cita que os primeiros cristãos mantinham contato com os espíritos, prática que o Espiritismo resgata 14.
  4. O Reino dos Céus e a Justiça Divina
    • Mateus usa a expressão “Reino dos Céus” (em vez de “Reino de Deus”), o que, para Denis, reflete uma visão mais universalista, alinhada com a ideia espírita de progresso espiritual através de múltiplas existências 4.

2. A Interpretação de Emmanuel sobre o Evangelho de Mateus (em obras de Chico Xavier)

Emmanuel, mentor espiritual de Chico Xavier, dedicou-se a comentar os Evangelhos, incluindo o de Mateus, em obras como “O Evangelho por Emmanuel”. Sua abordagem é profundamente moral e filosófica, destacando os ensinamentos de Jesus como guias para a reforma íntima e a vivência cristã.

Principais Pontos da Interpretação de Emmanuel:

  1. Jesus como Modelo de Conduta
    • Emmanuel ressalta que Mateus apresenta Jesus como o “Rei Messiânico”, mas também como o Mestre da humildade e do amor, cujas lições devem ser aplicadas no cotidiano 510.
  2. A Lei de Causa e Efeito nas Parábolas
    • Ele analisa parábolas como a do Joio e do Trigo (Mateus 13) e a dos Talentos (Mateus 25), mostrando que elas ilustram a responsabilidade humana perante as leis divinas e a necessidade de trabalho no bem 415.
  3. A Caridade como Caminho para a Evolução
    • Emmanuel destaca passagens como Mateus 25:31-46 (o julgamento das nações), onde Jesus ensina que servir ao próximo é servir a Deus, reforçando a ideia espírita de que a caridade é a base da verdadeira religião 11.
  4. A Mediunidade e a Comunicação com o Plano Espiritual
    • Comentando a Transfiguração (Mateus 17), Emmanuel explica que o evento foi uma manifestação mediúnica, onde Moisés e Elias (já desencarnados) se comunicaram com Jesus, confirmando a continuidade da vida após a morte 14.
  5. A Reforma Íntima e o Perdão
    • Emmanuel enfatiza a passagem em que Jesus diz “Perdoai setenta vezes sete” (Mateus 18:22), ensinando que o perdão é essencial para a paz interior e o progresso espiritual 5.

Conclusão: O Evangelho de Mateus no Espiritismo

Tanto Léon Denis quanto Emmanuel veem o Evangelho de Mateus como um alicerce doutrinário para o Espiritismo, mas com ênfases distintas:

  • Denis foca na reinterpretação racional dos textos, destacando a reencarnação, a mediunidade e a moral cristã como bases do Espiritismo.
  • Emmanuel aprofunda a aplicação prática dos ensinamentos de Jesus, mostrando como eles orientam a reforma íntima e a vivência espírita.

Para ambos, o Evangelho de Mateus não é um livro dogmático, mas um guia de sabedoria e amor, que o Espiritismo ajuda a desvendar em sua plenitude.

Referências Bibliográficas – Resposta sobre o Evangelho de Mateus (Visão Geral e Diferenças entre Evangelhos)

  1. BÍBLIA SAGRADA. Evangelho segundo Mateus. Tradução de João Ferreira de Almeida. Edição Revista e Corrigida. São Paulo: Sociedade Bíblica do Brasil, 1995.
  2. CARSON, D. A. O Comentário de Mateus. São Paulo: Vida Nova, 2010.
  3. HENDRIKSEN, William. Comentário do Novo Testamento: Mateus. São Paulo: Cultura Cristã, 2001.
  4. LOPES, Hernandes Dias. Mateus: O Evangelho do Rei. São Paulo: Hagnos, 2010.
  5. STOTT, John. A Mensagem do Sermão do Monte. Curitiba: ABU Editora, 1985.

Referências Bibliográficas – Resposta sobre o Evangelho de Mateus no Espiritismo (Léon Denis e Emmanuel)

Obras de Léon Denis:

  1. DENIS, Léon. O Evangelho segundo o Espiritismo (Comentários sobre os ensinos de Kardec). Tradução de Guillon Ribeiro. Rio de Janeiro: FEB, 2010.
  2. DENIS, Léon. Cristianismo e Espiritismo. Tradução de Albertina Escudeiro Sêco. 5. ed. Brasília: FEB, 2008.
  3. DENIS, Léon. Depois da Morte. Tradução de Júlio Abreu Filho. 28. ed. Brasília: FEB, 2019.

Obras de Emmanuel (psicografadas por Chico Xavier):

  1. XAVIER, Francisco Cândido (Espírito Emmanuel). O Evangelho por Emmanuel: Comentários ao Evangelho Segundo Mateus. 3. ed. Brasília: FEB, 2012.
  2. XAVIER, Francisco Cândido (Espírito Emmanuel). Pão Nosso. 37. ed. Brasília: FEB, 2018.
  3. XAVIER, Francisco Cândido (Espírito Emmanuel). Vinha de Luz. 28. ed. Brasília: FEB, 2016.

Outras Fontes Espiritas:

  1. KARDEC, Allan. O Evangelho segundo o Espiritismo. Tradução de Guillon Ribeiro. 131. ed. Brasília: FEB, 2020.
  2. KARDEC, Allan. A Gênese. Tradução de Guillon Ribeiro. 52. ed. Brasília: FEB, 2019.

Citações Online:

  1. FEDERAÇÃO ESPÍRITA BRASILEIRA (FEB). Estudos sobre o Evangelho de Mateus na visão espírita. Disponível em: https://www.febnet.org.br. Acesso em: 10 jun. 2025.
  2. CENTRO ESPÍRITA LUZ ETERNA. Palestras sobre Léon Denis e o Evangelho. Disponível em: https://www.luzeterna.org.br. Acesso em: 10 jun. 2025.

PRESIDENTE:
Elcio Divino Rodrigues Cardoso

COORDENAÇÃO
João Marcos B. e Azevedo

COLABORADORES
Hary Milton – Álvaro Moreira

ILUSTRAÇÃO
Marcelo Tibúrcio Vanni

Órgão de Divulgação da Doutrina Espírita

DEPARTAMENTO EDITORIAL PROLUZ

E-mail: [email protected]

Contato: (62) 98105-5500

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