Irmã Scheilla e o perfume da caridade

Enfermeira Espiritual do Amor e da Cura, Irmã Scheilla é uma das figuras mais veneradas no movimento espírita brasileiro, conhecida por seu trabalho de assistência espiritual, especialmente na área de tratamentos de saúde nos dois planos da vida. Sua trajetória como espírito missionário, suas encarnações conhecidas e sua atuação atual na espiritualidade fazem dela uma mentora espiritual de grande importância para muitas casas espíritas no Brasil.
O interconfessionalismo

EURÍPEDES VELLOSO “Pois todos os caminhos me encaminham pra você” – parte da canção “Eu não existosem você”, de Antônio Carlos Jobim. Veria o teólogo, nesta locução, algo que nos remete ao nosso Mestre Jesus Cristo?Teologizar não deve ser apenas traduzir letras, sem a simbologia que está inserida em tudoCriado; ou seja, tudo à nossa volta. Forma encantadora, na decifração da Inteligência doCriador. Há intensa poesia nas palavras do Cristo. E, o que é poético, para validar-se,depende de sensibilidades. A despertar-nos para o caminhar da evolução, pronunciou-se: “Eu sou o Caminho, aVerdade e a Vida. Ninguém vem ao Pai senão por mim” (João, XIX:6). Evocação compatívelà sua Missão Crística. Fazer-se guia e modelo para transitarmos junto ao Seu coração,chegando um dia ao Criador. Desde as primeiras eras, o humano despertara aos fenômenos de profundo impacto naNatureza, compreendendo, aos poucos, a existência de uma força de um Ser poderoso amandar, principalmente do Céu, manifestações surpreendentes. Num misto de instinto edevoção, nascia nas suas entranhas o senso de sacralidade. Embora nascente de temores eexpectativas, era um sentimento-raiz de religiosidade. Formava-se uma idolatria que, aos poucos, transformou-se em núcleos de devoção.Da intensa malha dos sentidos, dos instintos brotavam sensações. Médiuns primitivossurgiram; eram os feiticeiros das tribos. Os séculos se amontoaram em progressos e os instintos; raízes das sensaçõesmoldaram percepções outras. Civilizações surgem no orbe. Novas descobertas. Assim, deforma corporativa, emergem as religiões. Mesmo descobrindo a Religião organizada, tateava pela cegueira materialista. Mastudo caminha… A Religião nasceria da filosofia mais profunda e, aliando-se à Ciência,descobriria um vértice. Estamos falando do aspecto religioso da Doutrina dos Espíritos. Nãoapenas em seus instintos, mas numa convicção aos poucos assentada na Terra. Estapromanaria não idolatrias, por medos ou conveniências. O Espiritismo trouxe consigo uma féraciocinada. Na oficialização do Cristianismo, o mesmo hoje revivescido pela Doutrina Espírita,surgiram cerca de 80 seitas, pretensas cristãs. Tendências, fruto da diversidade e natureza dosinstintos, embora o sentimento religioso já houvesse se desenvolvido em grande escala,permearam as inclinações várias. Assim, deparamos, na atualidade, com quatro segmentos que se denominam“cristãos”. Qual a destinação dessas “crenças”, se tudo progride na índole humana? Vale apena debruçar sobre esse tema. Aliás, o que reverbera nos comportamentos traduzemfenômenos a serem analisados. Que o diga a Sociologia. Para todo fenômeno existe uma resposta, senão cairia por terra a percepção clara deque não há efeito sem causa. E os efeitos progridem quando a cultura – fruto da ação doshomens – os torna cada vez mais consistentes. Desse permeio, de devoções, crenças,religiosidade, transcendentalismo, as respostas para a relação do ser humano com o Criadorou à sua realidade espiritual, demandam laboratório de profundo conteúdo. Das formas com que a cultura invade a consciência dos seres, há conquistas quevagueiam, inicialmente, por um consciente que só aparece em coletivo. E em torno daReligião Cristã há um inconsciente buscando, mais e mais, agora, as realidades do Espírito.Ao Espiritismo concede-se a primazia de ser o segmento mais completo no alastramento danova cultura. A codificação de Allan Kardec, no Movimento Espírita, deve considerar comoreceber evangélicos, católicos e umbandistas interessados na “Era do Espírito”. EURÍPEDES VELLOSO é escritor, coordenador do Setor de Memórias da FederaçãoEspírita do Estado de Goiás
A Gratidão

LUÍS FERNANDO A gratidão, como virtude humana, ocupa um lugar de destaque nos ensinamentos daDoutrina Espírita. Ela é vista não apenas como uma forma de expressar reconhecimento pelasbênçãos recebidas, mas também como uma postura espiritual que favorece o crescimentointerior e aproxima o ser humano da paz interior e da evolução. Dentro dessa perspectiva, agratidão vai muito além de um simples gesto de educação ou cortesia, sendo, de fato, umaferramenta de transformação pessoal e coletiva. De acordo com o Espiritismo, a gratidão é uma virtude que favorece o equilíbrioemocional e espiritual do ser humano, aproximando-o de Deus, e, Allan Kardec em seusescritos, aponta que, ao reconhecermos as bênçãos da vida, estamos colocando em prática oentendimento de que tudo o que ocorre tem um propósito divino. O caráter científico do Espiritismo, por meio da Psicologia e da Psicanálise, nosconfirma que a gratidão se destaca como um dos principais caminhos para o equilíbrioemocional, psíquico e espiritual. A gratidão não é apenas uma resposta a situações favoráveis,mas também uma atitude que deve ser cultivada no cotidiano como um princípio que visa atransformação íntima. Ao sermos gratos, conseguimos curar nossas feridas internas e abrir espaço para que aluz divina nos conduza, sendo um remédio para a alma. Ao agradecermos, mesmo nasadversidades, despertamos para a compreensão de que tudo o que acontece tem um propósitomaior, muitas vezes ainda desconhecido por nós. A gratidão também é uma forma de purificação do nosso espírito, pois deixamos paratrás sentimentos negativos, como o orgulho e o ressentimento, que nos afastam da verdadeirapaz interior. A gratidão se apresenta como um verdadeiro antídoto contra emoções negativas,tais como a raiva, a inveja e o ciúme. Outro fator muito importante que a gratidão nos proporciona é que ela também nosajuda a afastar a tristeza e o sofrimento que possamos estar sentindo. As dificuldades deixamde ser entendidas como punições ou castigos e se tornam instrumentos de aprendizado,sempre nos mostrando algo valioso a ser desenvolvido. Um ponto a ser lembrado é que a prática da gratidão deve ser constante e cotidiana. Oideal é que, ao acordarmos, já expressemos nossa gratidão a Deus pelo novo dia que se inicia,pelas experiências e aprendizados que iremos viver ao longo do dia, e não apenas pelasgrandes vitórias. Outro campo importante de expressarmos a nossa gratidão está no contexto das nossasrelações familiares e interpessoais. É essencial sermos gratos pelos pequenos gestos decarinho que recebemos, especialmente dentro de nosso lar. Muitas vezes, esquecemos deagradecer por um sorriso, um abraço ou um simples gesto de cuidado. Esses pequenos atos deamor, que muitas vezes são entendidos como banais, são, na verdade, grandes presentes quemerecem nossa gratidão. Concluindo, podemos afirmar que a gratidão é um dos principais caminhos para nossaevolução moral. Ela nos ensina a olhar a vida com otimismo e a reconhecer o valor de todasas experiências que vivemos, independentemente de como elas se apresentem, sendo,portanto, uma virtude fundamental para o nosso processo evolutivo. Ao praticarmos agratidão, não só elevamos nossa essência espiritual, mas também conseguimos transformar omundo à nossa volta, criando uma atmosfera de paz, amor e entendimento.Reflitamos! LUÍS FERNANDO é palestrante do CEIS
Questionando: o flagelo da guerra

Por que Deus permite o flagelo da guerra? Em primeiro lugar, é necessário não esquecer que Deus não é uma pessoa com os limites que as doutrinas religiosas apontam, e que anda por aí fazendo e desfazendo coisas ou praticando atos próprios dos humanos. Deus é, em si, um manancial infinito de poder, sabedoria e bondade do qual emanam leis eternas e imutáveis às quais o Universo é submisso e, nem Ele mesmo, o próprio Deus, as modifica, pois se o fizesse estaria colocando limites à Sua infinitude e modificando-se a si mesmo.Partindo dessa assertiva, tenhamos a guerra como a expansão do ódio, da ambição e do revide individual para o contexto social. Se bem apontarmos, veremos que as guerras se originam de uma ou de poucas mentes de líderes ambiciosos, raivosos, contrariados em seus propósitos e, por ele ou eles, estendidas à sociedade humana. De forma generalizada, o soldado que é levado à guerra, para morrer ou matar, o faz obrigado e sem conhecer as verdadeiras razões do conflito. Convenhamos, pois, que DEUS não é a causa da guerra e, sim, o homem que traz a ausência do bem em sua alma. Por que, então, Deus que é Bondade Infinita permite que tantos inocentes sejam arrastados por alguns líderes, ao holocausto guerreiro? Deus não violenta as próprias leis, dentre elas, a lei do livre-arbítrio, como já dissemos. A guerra é fruto do comportamento do homem e do seu livre-arbítrio. Aos flagelos coletivos são levados aqueles que hoje ou ontem violentaram de alguma forma o equilíbrio do conjunto e, por hoje, purgam suas mazelas. Todavia, são incontáveis as guerras com fundo altruístico e libertário. Existe guerra boa e guerra má? Nenhuma guerra é altruísta. Elas sempre se originam na ambição, no ódio e no desvario do revide. Lembremos que os mais tenebrosos conflitos se alicerçaram e ainda se fundam na intolerância religiosa, sob o manto de uma bandeira a um deus antropomórfico, beligerante e odioso. Outrossim, podem estar sob o estandarte da ambição desmedida por conquistas econômicas. Altruístas devem ser consideradas a palavra e a sabedoria que levam ao acordo que põe fim ao fragor guerreiro. Anotemos que alguns fazem a guerra, morrem e matam sem nenhum ganho verdadeiro, enquanto outros batalham pela paz edificada pela concórdia e pela renúncia. Se os líderes religiosos e políticos refletissem e tomassem o caminho da concórdia e da razão, as guerras seriam extintas ou amainadas. ESSE CAPELLI. Questionando,Goiânia, Editora Proluz, 2008
A Jornada Espiritual: O Legado de Allan Kardec e o Livro dos Espíritos

A Jornada Espiritual: O Legado de Allan Kardec e o Livro dos Espíritos A codificação do espiritismo, uma jornada espiritual embebida nas correntes do século XIX, ecoa como um sussurro misterioso nos corações da humanidade. Sob a égide do educador francês Allan Kardec, cujo pseudônimo ressoa como uma melodia enigmática, Hippolyte Léon Denizard Rivail, desvelou os mistérios ocultos da existência. Sua obra, um testemunho vivo desse encontro entre o conhecimento terreno e o transcendental, é representada em “O Livro dos Espíritos”, publicado em 1857. Nas páginas deste livro, organizado meticulosamente em perguntas e respostas, Kardec navega pelos recônditos do universo, sondando os mistérios profundos da vida e da alma. Como um arquiteto da compreensão, ele ergue uma estrutura de indagações, onde conhecedores do além transmitem respostas, como estrelas cadentes em uma galáxia de conhecimento espiritual. A existência de Deus, como uma constelação iluminando os céus da compreensão humana, é explorada em seus mais íntimos detalhes, enquanto a natureza da alma é desvendada como um diamante bruto, cujo brilho transcende os limites da matéria. A reencarnação, como um ciclo perpétuo de renovação, é pintada nas páginas deste tratado como um rio fluindo, tecendo os destinos da humanidade. A moralidade, como uma bússola guiando os marinheiros da vida, e o livre-arbítrio, como uma constelação de escolhas iluminando o céu da existência, são temas entrelaçados neste mosaico de sabedoria. Cada palavra, como uma estrela cintilante no firmamento do conhecimento, lança luz sobre os enigmas que habitam o coração humano. A publicação do “O Livro dos Espíritos” não é apenas um evento histórico, mas um marco na evolução espiritual da humanidade. Ele serve como farol, orientando os buscadores da verdade em sua jornada interior. Seu impacto se estende além das fronteiras da França, atravessando continentes e influenciando culturas, religiões e pensamentos ao redor do mundo. Assim, a codificação do espiritismo não é apenas uma obra, mas uma epopeia espiritual, cujo eco ressoa através dos séculos, iluminando os caminhos da alma em sua busca pela verdade absoluta. A obra de Allan Kardec, “O Livro dos Espíritos”, não é apenas uma contribuição para a compreensão espiritual; ela é também uma escalada sublime do evangelho, uma expansão das mensagens de amor, compaixão e conhecimento contidas nos ensinamentos cristãos. Como uma boa nova para a humanidade, ela revela novos horizontes de entendimento sobre a natureza da divindade e da vida após a morte. Nesse sentido, a codificação do espiritismo não apenas complementa, mas eleva as verdades cristãs para uma esfera mais ampla de entendimento espiritual, oferecendo uma visão renovada e enriquecida da jornada da alma em busca da união com o divino. É como se as páginas de “O Livro dos Espíritos” se entrelaçassem harmoniosamente com os versículos sagrados, criando uma sinfonia espiritual que ressoa através dos tempos, convidando a humanidade a explorar os mistérios celestiais com coragem e devoção. Álvaro Moreira Barros nasceu e cresceu em lar espírita, estudante do espiritismo, é Mestrado Profissional em administração de empresas, Gerente da Livraria Proluz do Centro Espírita Irmã Scheilla.
Grupo em LUTO

Grupo em Luto: Apoio Gratuito no Caminho da Perda O Grupo em Luto, realizado na CAEB no CEIS em Goiânia desde 2024, oferece um espaço de acolhimento profissional para pessoas enfrentando a dor da perda de entes queridos. Atendimento Gratuito: Acesso EssencialSabemos que o luto é uma experiência universal, mas o acesso a apoio psicológico qualificado muitas vezes tem custo. A gratuidade deste grupo é fundamental, garantindo que qualquer pessoa, independente de sua condição financeira, possa receber o amparo emocional necessário para superar este momento difícil. É uma expressão prática da caridade e do compromisso social do CEIS e da CAEB com o bem-estar da comunidade. Coordenação:Psi. Me. Jaqueline A. Amaral (CRP 09/1106) Participe: A programação é divulgada no perfis do Instagram: @caeb_go e @ceis_go “Mesmo longe dos olhos, aqueles que amamos nunca estão longe do coração.” Encontre apoio e solidariedade no Grupo em Luto.
Solução para todos os problemas insolúveis

No Baú da Proluz Jávier Godinho [Texto retirado do Notícias Proluz edição n°61, ANO X, publicado em 2012] Muitos ainda não compreendem e afirmam que os ensinamentos de Jesus estão hoje fora da realidade, inadequados ao nosso tempo, depois de dois mil anos de desgaste. Ledo engano. Gibran Khalil, no seu livro Jesus, o Filho do Homem, o chamou de “O Prático”. Tudo que o Mestre disse e exemplificou tem aplicação prática, atualíssima e compensadora. Cientificamente, então, o Nazareno, de quem se sabe que nunca frequentou escola quanto mais universidade, acertou tudo. Analise o gentil leitor, por exemplo, as observações contidas nestas considerações de Emmanuel e Francisco Cândido Xavier: “Hoje, sabe a física que a luz é uma forma de energia e que todas as coisas criadas são composições energéticas, vibrando em ondas características. Disse o Cristo: “Fazei brilhar a vossa luz”. Começam a magnetologia e a hipnose, na chamada Terapia de Vidas Passadas – TVP, a provar cientificamente a reencarnação. Elucidou o Senhor: “Necessário vos é nascer de novo”. Conclui a medicina que o homem precisa desembaraçar-se de tudo que lhe possa constituir motivo à cólera ou tensão, em favor do próprio equilíbrio. Ensinou Jesus, por fórmula de paz e proteção terapêutica: “Amai os vossos inimigos, fazei bem aos que vos fazem mal e orai pelos que vos perseguem e caluniam”. Frisa a psicanálise que todo desejo reprimido marca a personalidade, à feição de recalque. Aclarou o Divino Mestre: “Não é o que entra na boca do homem o que realmente lhe faz mal, mas o que sai do coração”. A penalogia transforma os antigos cárceres de tortura em escolas de educação e de reajuste. Proclamou o Eterno Amigo: “Misericórdia quero e não sacrifício, porque os sãos não necessitam de médico”. A sociologia preceitua o trabalho para cada um, na comunidade, como simples dever. Informou Jesus: “Quem dentre vós quiser ser o maior, seja o servo de todos”.A política de ordem superior exige absoluta independência entre o estado e as crenças do povo. Falou o Cristo: “Daí a César o que é de César e a Deus o que é de Deus”. A astronáutica examina o campo físico da Lua e dirige a atenção para a vida material em outros planetas. Anunciou o Mestre dos Mestres: “A casa de meu Pai tem muitas moradas”. A unidade religiosa caminha gradativamente para o culto de assistência social e da oração, acima dos templos de pedra. Asseverou o Emissário Sublime: “Nossos antepassados reverenciavam a Deus no alto dos montes, e dizeis agora que Jerusalém é o lugar adequado a isso, mas tempos virão quando os verdadeiros religiosos adorarão a Deus em espírito, porque o Pai procura os que assim O procuram”. A navegação rápida e a aviação, o telefone e o rádio, o cinema, a televisão e a internet, apesar das faixas de sombra espiritual que por enquanto lhes obscurecem os serviços, indicam a todos os povos um só caminho – a fraternidade. Recomendou o Senhor: “Amai-vos uns aos outros como eu vos amei”. Eis porque a Doutrina Espírita nos reconduz ao Evangelho em sua primitiva simplicidade, porquanto somente assim compreenderemos, ante a imensa evolução científica do homem terrestre, que o Cristo é o Sol Moral do mundo, a brilhar mais intensamente amanhã”. Em Mateus, 17: 24 encontramos o convite de Cristo: “Se alguém quiser vir após mim, a si mesmo se negue, tome a sua cruz e siga-me”. A propósito, na sua obra De Alma para Alma, conta o filósofo e educador Huberto Rohden que andavam os filósofosgentios em busca do elixir da vida, os alquimistas medievais em busca do segredo do ouro, os sábios de todos os tempos em busca da pedra filosofal. “E não sabeis vós, inquietos bandeirantes, que, há muito, foi descoberto o talismã que buscais?” – indaga ele e prossegue. Até hoje, andam os homens de todos os dias em busca da felicidade perene. A fórmula mágica da ciência e da vida, o poderoso elixir de indefectível juventude e felicidade, contudo, existe há dois mil anos. E não foi Aristóteles nem Platão, não foi Sócrates nem Sêneca que tal prodígio descobriram. Não foi sábio nem estadista, não foi poeta nem general que elucidou o grande mistério. Foi um simples aprendiz de carpintaria, que nem nome parecia ter – o “filho do carpinteiro”, como dizia o povo. Homem que nunca se sentou em banco escolar. Homem que não se formou em ciências e artes. Homem que não frequentou academia nem curso filosófico. “Tenho diante de mim a fórmula singela que esse homem elaborou” – revela. É a fórmula que resolve todos os problemas daqui e de além-túmulo, que diz tudo que os sábios não disseram, que faz suportar os mais pesados fardos – até o próprio ego, que faz nascer auroras em pleno ocaso, que ensina a encontrar pérolas de sorriso no mais profundo oceano de lágrimas, que descortina alvejantes berços de vida onde os homens só enxergam negros ataúdes mortuários. “É tão singela essa fórmula descoberta pelo filho do carpinteiro que o mais simples dos homens a pode aplicar. Compõe-se de dois traços apenas, um vertical e outro horizontal. Unindo em ângulo reto essas duas barras que da oficina trouxe o carpinteiro de Nazaré, tem-se a chave que abre todos os segredos da vida e da morte” – preconiza Rohden que, durante dois anos, na Universidade de Princeton, nos Estados Unidos, foi colega de cátedra de Albert Einstein, pai da Teoria da Relatividade, considerado o homem mais inteligente do século 20. E são assim os apontamentos finais da sua lógica, paradoxalmente profunda e muito simples: “Lança-se ao céu a haste vertical bradando: amor divino. Alarga-se pela terra a trave horizontal, clamando: humana caridade. Não é a cruz uma espada com a lâmina para baixo, renúncia a todos os tipos de violência, condição primordial para o estabelecimento do amor, da compreensão, do perdão e da paz? À luz desse símbolo, resolvo todos os problemas da vida e da morte. À mão dessa fórmula mágica descerro todas as portas, compreendendo,
O Serviço de Passe

Aqui vamos destacar os pontos principais apresentados no capítulo 17, “Serviços de Passes”, parte da narrativa do livro “Mecanismos da Mediunidade”, do Espírito André Luiz e psicografado por Chico Xavier. A instrução é devida a qualidade sensível necessária para o trabalho substancial do atendimento fraterno que é descrito no texto, tal como na Casa de Scheilla: “Nesta sala — explicou Aulus, amigavelmente — se reúnem sublimadas emanações mentais da maioria de quantos se valem do socorro magnético, tomados de amor e confiança. Aqui possuímos uma espécie de altar interior, formado pelos pensamentos, preces e aspirações de quantos nos procuram trazendo o melhor de si mesmos.” Uma importante explicação sobre o que é o passe que esse capítulo nos traz, descrevendo o atendimento de uma senhora vítima de complicada icterícia proveniente do acesso de cólera. “O passe é uma transfusão de energias, alterando o campo celular. Vocês sabem que na própria ciência humana de hoje o átomo não é mais o tijolo indivisível da matéria… que, antes dele, encontram-se as linhas de força, aglutinando os princípios subatômicos, e que, antes desses princípios, surge a vida mental determinante… Tudo é espírito no santuário da Natureza.” Na sequência, o ensinamento segue esclarecendo a relação entre as mudanças do pensamento para o entrosamento entre emissão e recepção na assistência pelo passe, depois conclui: “O passe, como reconhecemos, é importante contribuição para quem saiba recebê-lo, com o respeito e a confiança que o valorizam.” Assim podemos entender que no fraternal “passe” existe uma conexão que está além das faculdades mediúnicas, estendendo-se por todo o tear da existência. Nas esferas físicas, da matéria em sua manifestação macro ou subatômica assim como nas esferas etéreas do plano espiritual, a conexão se dá tanto pelo magnetismo, propício no ambiente de orações, quando pela condição moral e mental de todos os agentes envolvidos. O capítulo 17 do livro “Nos Domínios da Mediunidade” aborda não apenas a prática dos passes espirituais, mas também valores como compromisso, comprometimento e não discriminação, que são essenciais no serviço fraterno dentro do contexto espírita. O texto descreve um ambiente de serviço espiritual baseado na fé, amor e humildade, onde os médiuns atuam como instrumentos para a transmissão de energias curativas sob a orientação de entidades espirituais mais elevadas. Segue uma lista dos pontos principais observados no capítulo “Serviços de Passes”: Ambiente e Preparação: O texto descreve um ambiente de serenidade e luz, onde os médiuns estão envolvidos em preparações espirituais, como a oração, antes de começarem o serviço de passes. Aqui, a atmosfera é vital, pois é através dela que as energias positivas são canalizadas para o bem-estar dos presentes. Médiuns e Colaboradores Espirituais: Os médiuns, Clara e Henrique, são retratados como canais para a transmissão de energias curativas, sob a orientação de entidades espirituais. A hierarquia entre eles é destacada, e os colaboradores espirituais são mencionados como auxiliares no processo de cura, demonstrando um comprometimento com o serviço fraterno. Compromisso e Comprometimento: O texto também sugere a importância do compromisso e do comprometimento dos médiuns com sua tarefa espiritual, que vai além da simples execução de passes, envolvendo uma dedicação profunda e responsável ao serviço fraterno. Não Discriminação das Pessoas e Espíritos Atendidos: O texto enfatiza que todos, incluindo médiuns, pacientes e espíritos, são beneficiários do atendimento fraterno, sem discriminação de qualquer tipo. Isso ressalta a importância da igualdade, da compaixão e do amor incondicional no contexto espiritual. Importância da Prece e da Fé: O texto enfatiza a importância da prece na preparação dos médiuns e na transmissão de energia curativa. Também destaca que a fé e a confiança por parte dos receptores são essenciais para que eles recebam o socorro espiritual necessário, ressaltando o compromisso com a espiritualidade. Diferenças entre Magnetismo e Espiritualidade: O texto faz uma distinção entre o magnetismo comum, baseado apenas na força magnética, e o trabalho espiritual de cura, que requer uma atitude moral elevada, amor, humildade, compromisso e fé. Isso mostra a importância do comprometimento dos médiuns com valores éticos e espirituais. Necessidade de Estudo e Preparo Moral: Embora não seja mencionado explicitamente, o texto sugere que, embora o serviço de passes não exija estudos especiais, o aprimoramento moral e espiritual dos médiuns é fundamental para o sucesso do trabalho. Isso reflete o compromisso com o contínuo desenvolvimento pessoal. Receptividade dos Pacientes: É destacado que a receptividade e a fé dos pacientes são cruciais para que recebam os benefícios da cura espiritual. A resistência, o ceticismo ou a falta de confiança podem dificultar ou impedir a eficácia do tratamento, demonstrando a necessidade de comprometimento por parte dos receptores. Por fim, vemos nesse estudo que o “Serviço de Passe” pode ser considerado um dos pilares do atendimento fraterno, proveniente não somente das maravilhas mediúnicas, mas da dedicação do grupo de trabalho. Caridade na sua mais sublime condição, onde a união, a humildade e o trabalho encontram-se sincronizados pelo amor, proporcionando aprendizado e libertação.