Centro Espírita Irmã Scheilla

"Crer em Deus, praticar o bem e buscar a verdade, eis a essência da Doutrina Espírita"

Irmã Scheilla

PENSAMENTO E PALAVRA

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Não vos enganeis: as más conversações corrompem os bons costumes. (I Coríntios, XV, 33).

É a influência negativa do mal, expressa por um linguajar inadequado ou por um proceder pouco elevado.

Toda construção se inicia no pensamento, concretizando-se depois pela ação. Com a palavra assim também o é. Pensamentos pouco moralizados se manifestam, logo mais, em palavras não edificantes, as quais deságuam em atos reprováveis, vindo tudo a se materializar numa resultante de sofrimentos.

Domar os pensamentos e manifestar essa tomada de posição por um palavrear comedido é a melhor forma de moldar o caráter e preparar uma vida equilibrada.

Disciplinar a mente corresponde à edificação de uma vida sólida, equilibrada e feliz, e isso se manifesta no equilíbrio do falar.

Erasmo, médium Esse Capelli,
do livro Reflexões à Sombra da Cruz

Exegese dos Atos dos Apóstolos – 1.2. A ascensão de Jesus

Ao estar, pois, reunidos, eles assim o interrogaram:

“Senhor, é agora o tempo em que irás restaurar a realeza em Israel?”

E ele respondeu-lhes:

“Não compete a vós conhecer os tempos e os momentos que o Pai fixou com sua própria autoridade. Mas recebereis uma força, a do Espírito Santo que descerá sobre vós, e sereis minhas testemunhas em Jerusalém, em toda a Judeia e a Samaria, e até os confins da terra”.

Dito isto, foi elevado à vista deles, e uma nuvem o ocultou a seus olhos. Ao olhar atentamente para o céu, enquanto ele se ia, dois homens vestidos de branco encontraram-se junto deles 11 e lhes disseram:

“Homens da Galileia, por que estais aí a olhar para o céu? Este Jesus, que foi arrebatado dentre vós para o céu, assim virá, do mesmo modo como o vistes partir para o céu”. (Atos dos Apóstolos, cap. 1, vv. 6 a 11).

No monte das Oliveiras, antes de sua ascensão, o divino Rabi ministrou suas últimas lições consoladoras aos apóstolos e revelou que somente o Pai sabe a respeito do tempo e dos momentos fixados por meio de Sua autoridade. Fato que ocorreu, provavelmente, no mês de maio do ano 30. Somente Lucas relata esse episódio em seu Evangelho (24:50-53) e em Atos (1:9-11).

Deus é Senhor absoluto da eternidade, em suas infinitas realidades distintas, porquanto transcende à Sua imanência e habita em Sua transcendência infinita, realidade ainda incompreensível à inteligência humana.

Jesus prometeu a assistência do Espírito Santo, ou seja, de seus Mensageiros, que são os Espíritos que trabalham em favor do Bem, do Amor e da Fraternidade Universal.

Em seu último mandamento e profecia, o Mestre solenemente asseverou:

“Sereis minhas testemunhas em Jerusalém, em toda a Judeia e a Samaria, e até os confins da terra.”

Estas foram as últimas palavras do sublime Messias. É a síntese do que Lucas relata em Atos dos Apóstolos. É o roteiro seguro para seus apóstolos e discípulos daquele tempo e de todas as gerações.

Nesse contexto, conforme foi dito em nossa obra, Tratado dos Evangelhos (12.18):

“Com gesto solene, Jesus ergueu as mãos e, enquanto abençoava seus discípulos, ascendia às alturas rumo às regiões venturosas de seu Reino, onde somente Espíritos superiores e puros têm acesso.

Diante da cena inesperada e comovente, os apóstolos se prostraram em profunda reverência a Jesus, enquanto era envolvido por uma nuvem até desaparecer.

Ainda perplexos, como se buscassem, ‘com os olhos fitos no céu’, explicações ante a visão que se estendia ao infinito, os apóstolos de Jesus foram consolados por ‘dois homens vestidos de branco’, que eram dois anjos enviados por Jesus para alentá-los com a promessa de seu retorno à Terra.”

Esse é o final da história da vida terrena de Jesus, que representa a vitória do Bem. A cruz representou a vitória temporária e efêmera da injustiça do mundo. Ainda assim, o Mestre sacralizou o madeiro infamante, porque, por onde o amor passa ou toca, fica sempre impregnada a luz radiosa e imperecível da Verdade eterna de Deus.

Quando a fé consola, é consubstanciada em esperança. Ao final, Jesus prometeu o Espírito Santo para nortear os passos de seus discípulos. Os dois anjos também prometeram o retorno do Mestre depois daquela partida memorável. Duas promessas consoladoras diante de uma comovedora despedida. Uma mensagem sublime que também deve ser lembrada quando houver desencarnações ou afastamentos de entes queridos sobre a Terra, conforme ainda nos ensina o divino Rabi:

“Com toda a certeza vos asseguro que tudo o que ligardes na terra terá sido ligado no céu, e tudo o que desligardes na terra terá sido desligado no céu.” (Mateus 18:18).

Jesus e seus discípulos estavam, estão e estarão ligados pelos vínculos sagrados e eternos do amor e da Vontade de Deus.

O Mestre poderia despedir-se de seus apóstolos de vários modos. Poderia ter desaparecido de suas presenças durante uma reunião, a caminho de alguma cidade, ao caminhar sobre as águas ou no topo de uma montanha etc. No entanto, escolheu ascender aos céus, não com o seu corpo de carne, o qual já havia desmaterializado no túmulo onde fora sepultado, mas com o seu corpo espiritual, ou perispiritual, e de forma solene. Isso para demonstrar a necessidade de superar o mundanismo para ingressar nas regiões superiores. O Messias falou do Reino dos Céus e demonstrou, por intermédio de sua ascensão, que iria ao encontro de sua Morada ou de seu Reino, região de Espíritos venturosos localizada muito além do orbe terrestre.

Esse episódio consolador demonstra a preocupação do Mestre em motivar os seus discípulos para os testemunhos redentores que os aguardavam. A partir daquele momento, eles retornaram a Jerusalém com mais confiança do que incertezas, com mais fé do que tristezas, com mais disposição para o trabalho no Bem, à espera da assistência dos Bons Espíritos, que os acompanhariam até o fim de seus dias sobre o orbe terrestre.

Os Bons Espíritos sempre iniciam ou encerram suas mensagens com palavras consoladoras, de bom ânimo, de otimismo, de esperança, de amor e de fé. Eles sabem que a vida na Terra é desafiadora em todos os sentidos e, por isso, desejam que todos nós não desistamos ante as agruras deste mundo de dores e de sofrimentos atrozes.

Felizes os que propagam a mensagem divina em canto de louvores ao Pai Misericordioso, porque ascenderão rumo às venturas celestes depois do cumprimento fiel de seus deveres sobre a Terra.

Por Emídio Brasileiro, Educador, Jurista e Cientista da Religião

Exegese dos Atos dos Apóstolos – 1.1. Prólogo de Atos dos Apóstolos

Fiz meu primeiro relato, ó Teófilo, a respeito de todas as coisas que Jesus fez e ensinou desde o começo, até o dia em que foi arrebatado ao céu, depois de ter dado instruções aos apóstolos que escolhera sob a ação do Espírito Santo. Ainda a eles, apresentou-se vivo depois de sua paixão, com muitas provas incontestáveis: durante quarenta dias apareceu-lhes e lhes falou do que concerne ao Reino de Deus. Então, no decurso de uma refeição com eles, ordenou-lhes que não se afastassem de Jerusalém, mas que aguardassem a promessa do Pai, “a qual, disse ele, ouvistes de minha boca: pois João batizou com água, mas vós sereis batizados com o Espírito Santo dentro de poucos dias”. (Atos dos Apóstolos, cap.1, vv. 1 a 5).

O primeiro relato de Lucas é o seu Evangelho e o segundo, Atos dos Apóstolos. Ambos os livros foram escritos em tempos próximos e destinados a Teófilo, que teria a missão de conhecer, reproduzir e divulgar essas mensagens.

Teófilo, cujo nome de origem grega significa “amigo de Deus”, era natural de Antioquia, um gentio de alta classe social convertido ao Cristianismo. Lucas o denomina de “excelentíssimo”, título usado nos primeiros séculos da era cristã para cavaleiros romanos, conferindo respeito e credibilidade à obra.

Depois de narrar os acontecimentos de seu Evangelho, sob orientação de Maria de Nazaré e dos apóstolos, o médico Lucas escreveu Atos dos Apóstolos com o objetivo de revelar fatos que consolidaram o pensamento vivo do Cristo em diversas regiões. Amigo e companheiro de viagens do apóstolo Paulo, Lucas dá testemunho de acontecimentos que marcaram de forma definitiva a expansão e a consolidação da Boa Nova.

Atos dos Apóstolos não é um livro de história, mas histórico, ou seja, seu propósito não é relatar cronologicamente a vida de cada apóstolo após a ascensão de Jesus, mas destacar os principais eventos que sustentaram a edificação da Boa Nova. Esses eventos são apresentados sob a orientação do Espírito Santo, ou seja, de Espíritos Superiores enviados por Jesus, cujas influências se manifestaram nas atitudes de Simão Pedro, na liderança do movimento apostólico, nas viagens de Paulo de Tarso, que levou a Boa Nova além das fronteiras da Judeia, e nos testemunhos devotados de apóstolos e seguidores de Cristo.

Nessa obra, Lucas evidencia que os apóstolos cumpriram fielmente as instruções do Mestre recebidas durante os quarenta dias posteriores à sua paixão. O colégio apostólico permaneceu em Jerusalém, onde seria instalada a sede da Igreja, de onde se irradiariam orientações para as futuras comunidades cristãs.

O prólogo de Lucas recorda a profecia de Jesus, cumprida no dia de Pentecostes, quando os discípulos foram “batizados com o Espírito Santo”. Para a perspectiva espírita, este batismo pode ser compreendido como a recepção de numerosas comunicações espirituais e da ação direta de Espíritos Superiores, conferindo orientação, proteção e fortalecimento moral aos discípulos.

A mediunidade, nesse contexto, é comparável a uma “pia batismal espiritual”: a partir de então, os apóstolos adquiriram segurança, equilíbrio e maturidade para cumprir sua missão. Foi através dela que encontraram apoio moral, discernimento e coragem, mesmo enfrentando desafios, perseguições e dificuldades. Mesmo os discípulos que não conheceram Jesus pessoalmente foram fortalecidos pela ação espiritual mediúnica.

Pedro, inicialmente inseguro no Evangelho, revela em Atos dos Apóstolos confiança e maturidade. Antes o “Grande Pescador” duvidava, mas, posteriormente, confiou plenamente, chegando a curar numerosos enfermos em suas viagens, demonstrando a transformação proporcionada pelo Espírito e pela fé.

O batismo de João representava a renovação comportamental pelo arrependimento diante de erros passados. Já o batismo com o Espírito Santo simboliza a renovação espiritual, caracterizada pelo amor, pelo trabalho e pela alegria em servir. Ele reflete a evolução intelecto-moral, permitindo ao discípulo olhar para frente, em direção à redenção, sem se prender a erros pretéritos.

Os testemunhos narrados por Lucas em Atos dos Apóstolos são frutos do esforço e da dedicação do Divino Rabi, que se estendem ao longo do tempo e atingem os corações e mentes dos Espíritos imortais, ávidos por felicidade e harmonia interior. Os apóstolos entregaram suas vidas, sofreram martírios físicos e morais, elevando o padrão vibratório de um planeta de provas e expiações, ainda habitado predominantemente por espíritos menos evoluídos, mas que, um dia, alcançarão a superioridade espiritual.

Por Emídio Brasileiro, Educador, Jurista e Cientista da Religião

DO BANCO DA PRAÇA – Mestre Bino

O VENENO DO ÓDIO

Um homem que fora agredido por um desafeto caminhava deixando vazar por todos os poros o incêndio do ódio. Monologava:

— Vou em busca de uma arma e voltarei para vingar-me.

Um ancião, marcado pela experiência da vida e que presenciara os fatos, chamou-o à reflexão:

— Meu filho, antes de alimentar a fogueira do ódio, ouça a história que vou contar. Um homem caminhava por uma trilha na floresta quando percebeu um tigre à sua frente. Em sua mente avolumou-se o dilema: enfrentar a fera ou deixá-la onde estava, tomando outro caminho?

O bom senso imperou. O viajante recuou um pouco e, hoje, vive feliz com sua família.

— Por que recuou? — alguém perguntou.

Ele prontamente respondeu:

— Se houvesse lutado com o tigre, certamente não poderia vencê-lo e, hoje, estaria estropiado ou morto, e a fera permaneceria a mesma, feliz, alimentada por minha carcaça.

O ancião calou-se por um instante e completou a lição:

— O ódio, meu filho, é o tigre que encontramos a cada momento na grande caminhada da vida, e só podemos vencê-lo pela força do amor e pela sabedoria da distância. Deixe quem o odeia onde está, perdoe-o e afaste-se. Amanhã, como o homem da história, você se encontrará feliz, sem ofender e sem ser ofendido.

Aprenda a deixar o que não lhe agrada onde está, sem confrontos, e siga o seu caminho, para que não perca a paz.

ONDE ESTÁ A VOSSA FÉ?

FERNANDO SAMUEL

A pergunta de Jesus que está registrada em Lucas 8:25 revela uma simplicidade típica das grandes lições de Cristo, porque narra um lago em fúria, a barca à deriva e os discípulos — homens experientes, alguns deles pescadores de toda a vida — tomados de pavor. Não era a primeira vez que enfrentavam tempestades. E, ainda assim, o medo os venceu.

Jesus acalma os ventos e as águas. Mas, antes de qualquer outra palavra, volta-se para aqueles que o seguiam e lança a pergunta que atravessa os séculos: “Onde está a vossa fé?”

Emmanuel nos convida a meditar sobre o alcance dessa interrogação (1). Jesus não pretendia repreender os discípulos, mas antes transmitir um novo ensinamento de amor. O Mestre não pergunta se havia fé, mas onde ela estava. A fé existia; estava apenas adormecida sob o peso do medo. A fé está conectada à centelha divina que existe em toda criatura humana, encarnada ou desencarnada.

A confiança verdadeira não se revela nos momentos de tranquilidade, quando o céu está aberto e os caminhos são largos, mas sim na hora das tempestades da vida. É no instante em que tudo parece obscuro e perdido que a fé encontra seu tempo próprio, sua hora de manifestar-se como força viva e não como mero ornamento espiritual.

Emmanuel lembra-nos que o socorro divino sempre vem. A misericórdia celestial é infinita e não abandona nenhum filho em sua hora de necessidade. Mas, vencida a dificuldade, a pergunta retorna, suave e firme: “Onde estava a vossa fé?”

E assim se dá o aprendizado da alma. Cada tempestade superada é uma aula. Cada obstáculo vencido com serenidade é um passo a mais na educação do espírito. Não somos poupados das provações, mas somos convidados a crescer através delas.

Que possamos, então, ao primeiro sinal da tormenta, buscar dentro de nós aquela centelha que nunca se apaga: a certeza silenciosa de que não estamos sós.

(1) XAVIER, Francisco C. Caminho, Verdade e Vida, cap. 40, “Tempo de Confiança”. 28 ed. Rio de Janeiro: FEB, 2012.

FERNANDO SAMUEL é palestrante do CEIS

A POLARIZAÇÃO E O SEU ENTREMEIO

EURÍPEDES VELOSO

Por mais uno que seja um valor, uma substância ou algo considerado concreto em sua materialidade, haverá um marco intermediário, parte da sua estrutura. Tem início, meio e fim. Afinal, na nossa limitada condição, ainda dependemos de considerar todas as coisas estruturadas em limites.

Os limites, em nossa frágil compreensão, nada mais são do que a delimitação apenas do que podemos ver, sentir, medir e perceber. Considerando, ainda, os potenciais diferenciados das criaturas. Uns têm ouvidos de ouvir, outros não os têm. Uns têm olhos de ver, outros não os têm. Uns têm coração para sentir, outros não o têm. Daí, os gestos, as atitudes e as ações estarem na conformidade dos limites de cada um.

Esparzimos, na conformidade dos limites que somos capazes de estabelecer nas vivências, aquilo que colhemos em nosso campo mental, psíquico, emocional e sentimental, podendo, também, advir do que guardamos de espiritualidade.

Dessa forma, ante todos os estímulos, infinitos, nosso Eu promana em acordo com a nossa integralidade, emoldurada pelos estímulos que nos cercam e por nós aceitos.

Haverá sempre um intermédio, a modelar nossos caracteres e os traços da nossa personalidade. De todos os sistemas, da ordem progressiva da nossa cultura, a evolução da Humanidade é a maior das estruturas. Diz respeito ao ser criado, que se dota como princípio inteligente, peça essencial nos desígnios do Criador.

Sendo esse princípio inteligente um imutável axioma, espera-se que estejamos preparados para transitar no corredor ascensional.

Toda estrutura, em formação, tende a consolidar-se. Se ordenada pela Arquitetura Divina, por mais delongada, consolida-se. Permeamos esse trânsito por milênios e agora é chegada a hora dos últimos ajustes. O prazo de validade do planeta está em sua data derradeira. O período previsto está a esgotar-se.

Uma característica do orbe, quando nessa fase terminal, é pôr a criatura em conflitos íntimos, reverberados pela própria escolha. Se bem posto, resguardado por conquistas milenares, encontrará meios de proceder às escolhas que lhe sejam mais apropriadas. Se mal posto, resguardando-se ainda por antigas mazelas de egoísmo, de materialismo, da inteligência sem sentimentos, de um cinismo que esvai das máscaras, de uma frieza insensível às dores do próximo e de manejos enganadores de falsa retórica, não terá o que lhe garanta passos no caminho da elevação.

Nesse sublime momento das nossas existências, um fenômeno ocorre, próprio das transições planetárias do nosso nível. Somos colocados, emocionalmente, por necessidades de escolhas, no ponto médio da nossa estrutura.

Os caracteres, os traços de personalidade, fluem em tal ordem que nos fazem despir da roupagem efêmera com que nos vestimos ao longo dos séculos. Desmascarados, sem a indumentária fugaz, somos postos no estágio medial das nossas decisões. É como estar na plataforma média da extensa caminhada, ante uma encruzilhada.

Estatelados, quanto menos sabemos escolher a direção, mais efervescente será o nosso ego. Tentaremos encontrar soluções, mas só temos na bagagem a resultante do que plantamos nos passos anteriores. Havendo, contudo, tempo para o recomeço, dependendo da passagem que escolhermos. Preponderando as nossas tendências, a mostrarem o que somos. Se infelizes e persistentes na índole menos boa, nos valeremos ainda dos valores puramente terrenos, com teorias mirabolantes, com discursos inflamados, disseminando desventuras. Se felizes, na harmonia do bem, será mais fácil decifrar o roteiro. Mas é muito triste quando vemos pessoas emaranhadas em seus desequilíbrios, por falta de virtudes.

Uma forma de percebermos como estamos ante essa bifurcação do caminho é buscar a reforma íntima, pela qual nos seja possível perceber se ainda estamos guardando os clamores da contenda, do ódio, da falsidade nas expressões, da indiferença às dores dos que sofrem, da exclusão dos considerados diferentes, das diferenças sociais e físicas, ou se, simplesmente, em quaisquer circunstâncias, nos esforçamos para o entendimento amorável.

Sem contender, com olhares benevolentes. Sem a dependência de envolver-nos nas ideologias malsãs, contemplando mais os valores da alma, orando pela recomposição dos corruptos, sem barganhar valores espirituais por valores políticos, sem puxarmos tapetes para assumirmos cargos ou posições, por certo, no ponto de transição do inevitável cruzamento, teremos, guardada no coração, uma bússola a indicar o rumo onde está Nosso Senhor Jesus Cristo.

EURÍPEDES VELOSO é escritor, coordenador do Setor de Memórias da Federação Espírita do Estado de Goiás

O MEDO SOCIAL E A EVANGELIZAÇÃO INFANTIL

GIOVANIO ROSA

Então, Jesus disse: – Deixem vir a mim as crianças e não as impeçam, pois o Reino dos céus pertence aos que são semelhantes a elas (Mateus 19:14).

A evangelização cristã do indivíduo é o melhor roteiro para sua formação moral e espiritual, a pedagogia mais eficaz para a formação do caráter e a expansão dos bons sentimentos.

Jesus nos assevera que o Reino dos Céus pertence aos que se assemelham às crianças. Evidentemente, Ele se refere à simplicidade e à ingenuidade infantis. As crianças são espíritos antigos habitando corpos novos, ainda em formação, com o propósito principal de prosseguir na marcha evolutiva. Por isso, nessa fase da vida, mostram-se mais receptivas a novos conceitos e ensinamentos, abertas à compreensão das informações que lhes são oferecidas e, consequentemente, mais suscetíveis às reformas íntimas oriundas das experiências de outras existências.

Tradicionalmente, a evangelização cristã infantil tem como foco a pedagogia de Jesus, que, evidentemente, abrange todas as circunstâncias da vida individual e social do ser humano. A pedagogia é de Jesus, mas a didática é do evangelizador.

Diante do assombroso desafio de ensinar as crianças a se desvencilharem do egoísmo — sem qualquer viés ideológico, pois no Espiritismo não cabe, em hipótese alguma, qualquer ideologia —, nós, evangelizadores, temos também o desafio de ensinar as crianças, e principalmente os meninos, a serem bons namorados, bons ex-namorados, bons noivos, bons ex-noivos, bons maridos e, até mesmo, bons ex-maridos.

É necessário desconstruir a ideia do “me pertence”, do pensamento de que “se não ficar comigo, não ficará com mais ninguém”, origem de comportamentos que levam à agressão e até mesmo ao homicídio.

Pode parecer paradoxal falar em ensinar alguém a ser “ex”, visto que a construção da célula-máter da sociedade pressupõe o fortalecimento da família, e não a sua dissolução. Contudo, o que se busca é o combate ao egoísmo, ao ciúme doentio e ao orgulho ferido. Trata-se de ensinar o indivíduo, desde a infância, a lidar com as perdas, especialmente as de natureza afetiva, pois elas são, em muitos casos, o estopim que alimenta esse grave problema social, contribuindo para tantas desditas no ambiente familiar.

De um lado, resta quase sempre uma vítima; do outro, um criminoso.

Como afirmou um filósofo grego: “Se educarmos as crianças, não precisaremos punir os adultos.”

GIOVANIO ROSA é palestrante do CEIS

ACENDA UMA LUZ EM SUA CASA

FERNANDO PINHEIRO

É natural que tenhamos toda a nossa atenção em relação à nossa moradia física, seja uma casa, mansão ou uma choupana, seja um apartamento duplex ou quarto e sala, seja própria ou alugada. Todas elas são resultados físicos da união de diversos materiais, como tijolos, madeira, areia, cimento, ferro, vidro, etc., moldadas para abrigar as nossas famílias, com o objetivo de nos acolher, proteger e proporcionar descanso aos nossos corpos físicos. Para cuidar dessa CASA, é imprescindível adotarmos uma série de procedimentos: limpar e higienizar diariamente seus cômodos, além de pintar e reformar periodicamente, para a devida conservação e manutenção de seu ambiente físico; caso contrário, ela se tornaria um lugar desagradável.

Nesse ambiente físico, somadas às dezenas de todas as outras moradias circunvizinhas, são formados os bairros, as cidades, os estados e os países. Nós, os seres humanos, habitamos cada uma dessas unidades, formando famílias que, juntas, formam as comunidades, as sociedades, os povos e as nações.

Nesse momento, dois itens são formados individualmente: a CASA e o LAR, os quais passam a se diferenciar:

A CASA é a construção material, o teto, o espaço físico que habitamos. O LAR é o ambiente psíquico e moral construído pelo afeto, pela renúncia, pelo respeito mútuo e pela convivência familiar.

Família: essa que reúne almas com necessidades de aprendizado conjunto, formada por espíritos afetos e desafetos e em provações reencarnados com as funções de pais, filhos, irmãos, onde terão a oportunidade da convivência pacífica, mas também para buscarem a rearmonização e os reajustes do passado e, principalmente, a educação moral de todos os seus membros, para que, dessa forma, possam colaborar na reforma da sociedade. A FAMÍLIA é a célula da sociedade, e para que a sociedade seja equilibrada, harmônica e fraterna, esses princípios têm que ser formados no LAR.

Dessa forma, a Doutrina Espírita vem nos trazer a orientação indispensável de implantarmos em nossos LARES o ESTUDO DO EVANGELHO NO LAR, o qual trará benefícios como a harmonização familiar, a proteção espiritual, a limpeza fluídica do ambiente, além de fortalecer o estudo e a prática dos ensinamentos de Jesus, promovendo, pois, a PAZ e o equilíbrio mental dos integrantes da Família.

A implantação dessa prática é simples:

1- Escolha um dia por semana, fixando o mesmo horário.

2- Um local tranquilo e confortável, e colocar uma jarra de água para a fluidificação.

3- Convide, sem exigir, a presença de todos que estejam presentes na casa; se recusarem, faça sozinho, pois os espíritos estarão presentes.

4- Fazer leituras curtas e edificantes e, a seguir, prece de abertura simples e espontânea.

5- Fazer a leitura do trecho do Evangelho Segundo o Espiritismo, de preferência em sequência e dedicado a um ou dois itens.

6- Após a leitura, todos poderão fazer breves comentários, evidenciando o ensinamento moral, evitando a crítica ou a aplicação a outrem, mas deixando que cada um faça a sua própria reflexão interior.

7- Fazer o encerramento buscando as vibrações de paz, equilíbrio e fraternidade para toda a família e para toda a humanidade, além de vibrações específicas para alguém em especial.

8- Fazer a prece de encerramento simples e espontânea, agradecendo a Deus, a Jesus e aos bons espíritos, e beber a água fluidificada pelos espíritos presentes.

QUANDO A FAMÍLIA ORA, JESUS SE DEMORA NO LAR E A LUZ DO AMOR SE ACENDE.

FERNANDO PINHEIRO é palestrante do CEIS

PRESIDENTE:
Elcio Divino Rodrigues Cardoso

COORDENAÇÃO
João Marcos B. e Azevedo

COLABORADORES
Hary Milton – Álvaro Moreira

ILUSTRAÇÃO
Marcelo Tibúrcio Vanni

Órgão de Divulgação da Doutrina Espírita

DEPARTAMENTO EDITORIAL PROLUZ

E-mail: [email protected]

Contato: (62) 98105-5500

Rua 8, Vila Abajá, Goiânia-GO. CEP: 74550-380

Centro Espírita Irmã Scheilla