EURÍPEDES VELLOSO “Pois todos os caminhos me encaminham pra você” – parte da canção “Eu não existosem você”, de Antônio Carlos Jobim. Veria o teólogo, nesta locução, algo que nos remete ao nosso Mestre Jesus Cristo?Teologizar não deve ser apenas traduzir letras, sem a simbologia que está inserida em tudoCriado; ou seja, tudo à nossa volta. Forma encantadora, na decifração da Inteligência doCriador. Há intensa poesia nas palavras do Cristo. E, o que é poético, para validar-se,depende de sensibilidades. A despertar-nos para o caminhar da evolução, pronunciou-se: “Eu sou o Caminho, aVerdade e a Vida. Ninguém vem ao Pai senão por mim” (João, XIX:6). Evocação compatívelà sua Missão Crística. Fazer-se guia e modelo para transitarmos junto ao Seu coração,chegando um dia ao Criador. Desde as primeiras eras, o humano despertara aos fenômenos de profundo impacto naNatureza, compreendendo, aos poucos, a existência de uma força de um Ser poderoso amandar, principalmente do Céu, manifestações surpreendentes. Num misto de instinto edevoção, nascia nas suas entranhas o senso de sacralidade. Embora nascente de temores eexpectativas, era um sentimento-raiz de religiosidade. Formava-se uma idolatria que, aos poucos, transformou-se em núcleos de devoção.Da intensa malha dos sentidos, dos instintos brotavam sensações. Médiuns primitivossurgiram; eram os feiticeiros das tribos. Os séculos se amontoaram em progressos e os instintos; raízes das sensaçõesmoldaram percepções outras. Civilizações surgem no orbe. Novas descobertas. Assim, deforma corporativa, emergem as religiões. Mesmo descobrindo a Religião organizada, tateava pela cegueira materialista. Mastudo caminha… A Religião nasceria da filosofia mais profunda e, aliando-se à Ciência,descobriria um vértice. Estamos falando do aspecto religioso da Doutrina dos Espíritos. Nãoapenas em seus instintos, mas numa convicção aos poucos assentada na Terra. Estapromanaria não idolatrias, por medos ou conveniências. O Espiritismo trouxe consigo uma féraciocinada. Na oficialização do Cristianismo, o mesmo hoje revivescido pela Doutrina Espírita,surgiram cerca de 80 seitas, pretensas cristãs. Tendências, fruto da diversidade e natureza dosinstintos, embora o sentimento religioso já houvesse se desenvolvido em grande escala,permearam as inclinações várias. Assim, deparamos, na atualidade, com quatro segmentos que se denominam“cristãos”. Qual a destinação dessas “crenças”, se tudo progride na índole humana? Vale apena debruçar sobre esse tema. Aliás, o que reverbera nos comportamentos traduzemfenômenos a serem analisados. Que o diga a Sociologia. Para todo fenômeno existe uma resposta, senão cairia por terra a percepção clara deque não há efeito sem causa. E os efeitos progridem quando a cultura – fruto da ação doshomens – os torna cada vez mais consistentes. Desse permeio, de devoções, crenças,religiosidade, transcendentalismo, as respostas para a relação do ser humano com o Criadorou à sua realidade espiritual, demandam laboratório de profundo conteúdo. Das formas com que a cultura invade a consciência dos seres, há conquistas quevagueiam, inicialmente, por um consciente que só aparece em coletivo. E em torno daReligião Cristã há um inconsciente buscando, mais e mais, agora, as realidades do Espírito.Ao Espiritismo concede-se a primazia de ser o segmento mais completo no alastramento danova cultura. A codificação de Allan Kardec, no Movimento Espírita, deve considerar comoreceber evangélicos, católicos e umbandistas interessados na “Era do Espírito”. EURÍPEDES VELLOSO é escritor, coordenador do Setor de Memórias da FederaçãoEspírita do Estado de Goiás