A POLARIZAÇÃO E O SEU ENTREMEIO

Por mais uno que seja um valor, uma substância ou algo considerado concreto em sua

EURÍPEDES VELOSO

Por mais uno que seja um valor, uma substância ou algo considerado concreto em sua materialidade, haverá um marco intermediário, parte da sua estrutura. Tem início, meio e fim. Afinal, na nossa limitada condição, ainda dependemos de considerar todas as coisas estruturadas em limites.

Os limites, em nossa frágil compreensão, nada mais são do que a delimitação apenas do que podemos ver, sentir, medir e perceber. Considerando, ainda, os potenciais diferenciados das criaturas. Uns têm ouvidos de ouvir, outros não os têm. Uns têm olhos de ver, outros não os têm. Uns têm coração para sentir, outros não o têm. Daí, os gestos, as atitudes e as ações estarem na conformidade dos limites de cada um.

Esparzimos, na conformidade dos limites que somos capazes de estabelecer nas vivências, aquilo que colhemos em nosso campo mental, psíquico, emocional e sentimental, podendo, também, advir do que guardamos de espiritualidade.

Dessa forma, ante todos os estímulos, infinitos, nosso Eu promana em acordo com a nossa integralidade, emoldurada pelos estímulos que nos cercam e por nós aceitos.

Haverá sempre um intermédio, a modelar nossos caracteres e os traços da nossa personalidade. De todos os sistemas, da ordem progressiva da nossa cultura, a evolução da Humanidade é a maior das estruturas. Diz respeito ao ser criado, que se dota como princípio inteligente, peça essencial nos desígnios do Criador.

Sendo esse princípio inteligente um imutável axioma, espera-se que estejamos preparados para transitar no corredor ascensional.

Toda estrutura, em formação, tende a consolidar-se. Se ordenada pela Arquitetura Divina, por mais delongada, consolida-se. Permeamos esse trânsito por milênios e agora é chegada a hora dos últimos ajustes. O prazo de validade do planeta está em sua data derradeira. O período previsto está a esgotar-se.

Uma característica do orbe, quando nessa fase terminal, é pôr a criatura em conflitos íntimos, reverberados pela própria escolha. Se bem posto, resguardado por conquistas milenares, encontrará meios de proceder às escolhas que lhe sejam mais apropriadas. Se mal posto, resguardando-se ainda por antigas mazelas de egoísmo, de materialismo, da inteligência sem sentimentos, de um cinismo que esvai das máscaras, de uma frieza insensível às dores do próximo e de manejos enganadores de falsa retórica, não terá o que lhe garanta passos no caminho da elevação.

Nesse sublime momento das nossas existências, um fenômeno ocorre, próprio das transições planetárias do nosso nível. Somos colocados, emocionalmente, por necessidades de escolhas, no ponto médio da nossa estrutura.

Os caracteres, os traços de personalidade, fluem em tal ordem que nos fazem despir da roupagem efêmera com que nos vestimos ao longo dos séculos. Desmascarados, sem a indumentária fugaz, somos postos no estágio medial das nossas decisões. É como estar na plataforma média da extensa caminhada, ante uma encruzilhada.

Estatelados, quanto menos sabemos escolher a direção, mais efervescente será o nosso ego. Tentaremos encontrar soluções, mas só temos na bagagem a resultante do que plantamos nos passos anteriores. Havendo, contudo, tempo para o recomeço, dependendo da passagem que escolhermos. Preponderando as nossas tendências, a mostrarem o que somos. Se infelizes e persistentes na índole menos boa, nos valeremos ainda dos valores puramente terrenos, com teorias mirabolantes, com discursos inflamados, disseminando desventuras. Se felizes, na harmonia do bem, será mais fácil decifrar o roteiro. Mas é muito triste quando vemos pessoas emaranhadas em seus desequilíbrios, por falta de virtudes.

Uma forma de percebermos como estamos ante essa bifurcação do caminho é buscar a reforma íntima, pela qual nos seja possível perceber se ainda estamos guardando os clamores da contenda, do ódio, da falsidade nas expressões, da indiferença às dores dos que sofrem, da exclusão dos considerados diferentes, das diferenças sociais e físicas, ou se, simplesmente, em quaisquer circunstâncias, nos esforçamos para o entendimento amorável.

Sem contender, com olhares benevolentes. Sem a dependência de envolver-nos nas ideologias malsãs, contemplando mais os valores da alma, orando pela recomposição dos corruptos, sem barganhar valores espirituais por valores políticos, sem puxarmos tapetes para assumirmos cargos ou posições, por certo, no ponto de transição do inevitável cruzamento, teremos, guardada no coração, uma bússola a indicar o rumo onde está Nosso Senhor Jesus Cristo.

EURÍPEDES VELOSO é escritor, coordenador do Setor de Memórias da Federação Espírita do Estado de Goiás

ASSINATURA NOTÍCIAS PROLUZ - SEMPRE GRATUITO

Notícias Proluz é o informativo do Centro Espírita Irmã Scheilla. Publicado e distribuído gratuitamente pela Livraria e Editora Proluz. Seja o primeiro a saber quando nosso informativo for publicado!

Não fazemos spam! Leia nossa política de privacidade para mais informações.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

5 * 1 = ?
Reload

This CAPTCHA helps ensure that you are human. Please enter the requested characters.