Exegese dos Atos dos Apóstolos – 2.1 O Pentecostes

No Cristianismo, Pentecostes passou a ter outro significado. Tornou-se o símbolo do Cenáculo, o momento

Esse fato mediúnico, ocorrido no último dia da Festa de Pentecostes, representa a presença ostensiva dos bons Espíritos para a promoção da mensagem da Boa Nova do Cristo.

Pentecoste ou Pentecostes, palavra de origem grega que significa “cinquenta”, era o nome dado à festa judaica celebrada cinquenta dias depois do segundo dia da Páscoa (16 de nisã). Também denominada Festa das Semanas, ocorria sete semanas depois da Páscoa.

A Festa de Pentecostes foi instituída para celebrar a colheita dos primeiros frutos e, por isso, era chamada de “festa da colheita” (Êxodo, 23:16). Posteriormente, passou a ser chamada de “Festa das Semanas” e era também associada ao aniversário da revelação da Lei a Moisés, no monte Sinai, no quinquagésimo dia depois da saída do Egito, segundo o capítulo 19 do livro de Êxodo.

Pentecostes possuía dois significados: o primeiro era cristão, e o segundo, hebraico, correspondia ao significado da festa naquele tempo. No Judaísmo, Pentecostes tinha diversos significados: celebrava-se a colheita, recordava-se o dia em que Moisés recebeu os Dez Mandamentos no monte Sinai e comemorava-se a Festa das Semanas, vinculada ao período da Páscoa. Era, portanto, um momento de celebração, fé e agradecimento.

A celebração da Páscoa era feita dentro de casa, enquanto Pentecostes era celebrada no campo, conforme a tradição. No local da cerimônia, colocava-se um feixe de trigo ou cevada, apresentado como oferta a Deus, o doador da terra e a fonte de todo bem. Os celebrantes alimentavam-se de partes das ofertas trazidas pelos agricultores. Era uma festa comemorada no ambiente rural, próxima à época da colheita agrícola, alegre e solene.

No Cristianismo, Pentecostes passou a ter outro significado. Tornou-se o símbolo do Cenáculo, o momento em que os apóstolos se reuniram e aguardaram a vinda do Espírito Santo. É possível que tenha sido o mesmo Cenáculo em que Jesus celebrou a Última Ceia.

O texto diz: “Ao completar o dia de Pentecostes”. A festa não acontecia em um só dia; aquele seria o último. Estavam ali todos reunidos, no mesmo lugar, tanto os apóstolos quanto os discípulos.

Em relação ao fenômeno das línguas como de fogo, não foi um fenômeno que apareceu de forma esporádica. Eles se prepararam para aquele momento. Foi a primeira reunião mediúnica do Cristianismo. Era algo esperado, porque Jesus havia prometido a consolação.

O Espírito Santo representa os Espíritos superiores, mensageiros do Cristo, que organizaram a Doutrina Espírita, o Consolador prometido por Jesus. Quando esses Espíritos se apresentaram na reunião, ocorreu o primeiro contato em que a promessa de Jesus foi cumprida.

O texto diz: “De repente, veio do céu o ruído”. Quando os Espíritos apareceram, encheram toda a casa, o local da reunião. Não se sabe quando isso ocorreu, se no período da manhã, da tarde ou da noite, mas é provável que tenha sido no início da noite. Naquele momento, eram muitos Espíritos, cada um representava uma função, um objetivo; todos ali presentes ficaram repletos do Espírito Santo.

A história de Atos dos Apóstolos começa no momento da manifestação desses Espíritos. Cada um deles falava uma língua, com mensagens diferentes. Judeus foram até aquela casa, assistiram ao fato e ficaram perplexos. Esses Espíritos podem manifestar-se também em outros ambientes. Sua mensagem é universal; é um fenômeno natural, uma energia pensante, algo que possui um significado profundo, difícil de comparar, mas que se pode relacionar a um raio, ao fogo, a uma pomba, a algo pensante e poderoso.

Pessoas de toda parte testemunharam esse momento. O fato mediúnico é o único que pode combater as “extravagantes” argumentações das dialéticas materialistas. Argumentos baseados apenas em palavras não convencem; são necessárias provas. Deus queria que ali não pairasse nenhuma dúvida. Por isso, estavam presentes pessoas de várias nacionalidades, para testemunharem aquele momento.

Todos os presentes estavam espantados, atônitos, mas nem todos aceitavam as evidências. Diziam, por exemplo: “Ah, eles estão bêbados”. Mesmo essas pessoas, porém, entenderam as mensagens e ficaram convictas da realidade mediúnica e da comunicabilidade com os Espíritos.

É possível trazer isso para as nossas vidas. As línguas de fogo estão sobre as nossas cabeças. Há sempre bons Espíritos que nos orientam, nos inspiram e nos alertam. Se pensarmos que estamos sozinhos, sofreremos desnecessariamente. Por isso, temos de ter a convicção de que eles estão presentes e atuam em nossas vidas.

Por algum momento, somos convidados, e esse chamado pode vir pela via mediúnica. O convite vem; o batismo é de fogo, seja por intermédio de uma comunicação, seja por um fato. Em nosso orbe, nada acontece sem a presença de alguma mensagem espiritual, seja pelas intuições, seja por sonhos ou diversos fatos mediúnicos. Ademais, todos nós somos médiuns. Não devemos esquecer a assistência dos bons Espíritos, pois eles estão próximos e cumprem fielmente a vontade de Deus.

Por Emídio Brasileiro, Educador, Jurista e Cientista da Religião

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