GIOVANIO ROSA
Então, Jesus disse: – Deixem vir a mim as crianças e não as impeçam, pois o Reino dos céus pertence aos que são semelhantes a elas (Mateus 19:14).
A evangelização cristã do indivíduo é o melhor roteiro para sua formação moral e espiritual, a pedagogia mais eficaz para a formação do caráter e a expansão dos bons sentimentos.
Jesus nos assevera que o Reino dos Céus pertence aos que se assemelham às crianças. Evidentemente, Ele se refere à simplicidade e à ingenuidade infantis. As crianças são espíritos antigos habitando corpos novos, ainda em formação, com o propósito principal de prosseguir na marcha evolutiva. Por isso, nessa fase da vida, mostram-se mais receptivas a novos conceitos e ensinamentos, abertas à compreensão das informações que lhes são oferecidas e, consequentemente, mais suscetíveis às reformas íntimas oriundas das experiências de outras existências.
Tradicionalmente, a evangelização cristã infantil tem como foco a pedagogia de Jesus, que, evidentemente, abrange todas as circunstâncias da vida individual e social do ser humano. A pedagogia é de Jesus, mas a didática é do evangelizador.
Diante do assombroso desafio de ensinar as crianças a se desvencilharem do egoísmo — sem qualquer viés ideológico, pois no Espiritismo não cabe, em hipótese alguma, qualquer ideologia —, nós, evangelizadores, temos também o desafio de ensinar as crianças, e principalmente os meninos, a serem bons namorados, bons ex-namorados, bons noivos, bons ex-noivos, bons maridos e, até mesmo, bons ex-maridos.
É necessário desconstruir a ideia do “me pertence”, do pensamento de que “se não ficar comigo, não ficará com mais ninguém”, origem de comportamentos que levam à agressão e até mesmo ao homicídio.
Pode parecer paradoxal falar em ensinar alguém a ser “ex”, visto que a construção da célula-máter da sociedade pressupõe o fortalecimento da família, e não a sua dissolução. Contudo, o que se busca é o combate ao egoísmo, ao ciúme doentio e ao orgulho ferido. Trata-se de ensinar o indivíduo, desde a infância, a lidar com as perdas, especialmente as de natureza afetiva, pois elas são, em muitos casos, o estopim que alimenta esse grave problema social, contribuindo para tantas desditas no ambiente familiar.
De um lado, resta quase sempre uma vítima; do outro, um criminoso.
Como afirmou um filósofo grego: “Se educarmos as crianças, não precisaremos punir os adultos.”
GIOVANIO ROSA é palestrante do CEIS



