O CIENTISTA, O CAIPIRA E O BODE
Zé, o caipira, ouvia a discussão do patrão, um doutor, com os seus colegas, divagando sobre temas que não podia compreender. Falavam de clonagem, células tronco e avanços da genética. Zé ouvia, ao passo que puxava a fumaça do palheiro de fumo de rolo, quase cochilando. O bode reprodutor, de raça escolhida, pulava pra lá e pra cá, como se debochasse dos sábios que iam e vinham com suas teses incompreensíveis ao bode e ao caipira. O patrão, homem famoso e amedalhado por condecorações, olhou o caipira e o bode e disparou:
— Zé, enxota esse bode daqui.
— Patrão, deixa o bichinho brincar, ele tá ouvindo, ele também é cria de Deus.
Os companheiros riram do mote e o patrão retornou:
— Zé, daqui a algum tempo a ciência não vai mais precisar de Deus, ela vai clonar os bodes que desejar e sanear as molecagens desse aí.
— Doutor, eu quero ver é a ciência “fazer bodes” a partir do nada, pois se fizer com um pedacinho daquele que Ele fez, não tem graça nenhuma.
O patrão ouviu, gaguejou, enquanto o caipira completou:
— Vai ser bom mesmo é quando essa tal de ciência fizer arroz e feijão “do nada” e clonar só político que tenha vergonha, não furte, não minta e seja honesto e bom como esse bode é, meu patrão.
Todos olharam, riram amarelo e calaram-se pensativos.
O homem da ciência tem poder,
Pode no conhecer avançar,
Também a vida bem melhorar,
Mas não dá o alento de viver.


