MATEUS

Mateus apresenta Jesus como o Messias, destacando seus ensinamentos e exemplos de amor, fé, misericórdia

EMÍDIO BRASILEIRO

O Livro ou o Evangelho de Mateus é o quadragésimo sétimo livro e o primeiro Evangelho da Bíblia. A tradição cristã atribui ao apóstolo Mateus como sua autoria. Foi escrito especialmente para cristãos de origem judaica e apresenta Jesus como o Messias prometido.

Mateus, também chamado Levi, foi um dos doze apóstolos de Jesus. Antes de seguir Jesus, exerceu a profissão de cobrador de impostos (publicano), atividade desprezada pelos judeus por estar ligada ao domínio romano. Jesus o chamou enquanto ele estava na coletoria de impostos (Mt 9:9). Mateus deixou tudo imediatamente para segui-lo, o que demonstrou conversão e desapego. 

Mateus acompanhou Jesus durante seu ministério, testemunhou seus ensinamentos, milagres, morte e ressurreição. Segundo a tradição, Mateus pregou o Evangelho em regiões como Etiópia, Pérsia ou Arábia. A forma de sua morte não é totalmente certa, mas a tradição o considera um mártir.

O Evangelho de Mateus possui 28 capítulos e pode ser dividido em 5 partes principais:

I – Infância de Jesus (caps. 1 – 2);
II – Início do ministério (caps. 3 – 7);
III – Missão e ensinamentos (caps. 8 – 13);
IV – Formação dos discípulos (caps. 14 – 20);
V – Paixão, morte e ressurreição (caps. 21 – 28).

O livro começa com a genealogia de Jesus e destaca sua descendência de Davi e de Abraão para mostrar o cumprimento das promessas messiânicas. Em seguida, relata o nascimento de Jesus: Maria concebeu pelo Espírito Santo, José a acolheu depois da orientação do anjo, e Jesus nasceu em Belém. Magos do Oriente chegaram guiados por uma estrela, reconheceram o Menino como rei e o adoraram. Herodes, com medo injustificado das profecias messiânicas, decretou a morte de todas as crianças do sexo masculino, com até dois anos de idade, na tentativa de acabar com a vida de Jesus; José, avisado em sonho, fugiu com Maria e Jesus para o Egito. Após a morte de Herodes, retornaram e se estabeleceram em Nazaré.

O ministério de Jesus começou com João Batista, que pregou o arrependimento no deserto. Jesus foi ao Jordão, foi batizado e recebeu a confirmação do Pai. Em seguida, foi conduzido ao deserto, onde enfrentou e venceu todas as tentações. Depois, fixou-se na Galileia e proclamou: “O Reino dos céus está próximo”. Chamou seus primeiros discípulos — Pedro, André, Tiago e João — e iniciou um amplo ministério de ensino, cura e anúncio do Reino.

No Sermão da Montanha, Jesus apresenta a ética do Reino: as bem-aventuranças, o aprofundamento da Lei, o amor aos inimigos, a oração do Pai Nosso, a prática da misericórdia, o valor da sinceridade interior e o chamado à confiança em Deus. Ele termina o Sermão com o sublime convite para a construção da vida sobre uma base sólida.

Depois disso, Mateus mostra uma série de sinais que demonstram a autoridade de Jesus sobre as doenças, a natureza, os espíritos e até sobre a morte: curou um leproso, o servo do centurião, a sogra de Pedro; acalmou a tempestade; libertou dois endemoninhados; curou um paralítico; ressuscitou a filha de Jairo; curou a mulher com fluxo de sangue, dois cegos e um mudo. Ao chamar Mateus, o publicano, reafirmou que veio para os pecadores.

Jesus enviou os Doze Apóstolos com instruções detalhadas a respeito da missão, da pobreza, da coragem e do discernimento. João Batista, preso, enviou discípulos; Jesus elogiou sua grandeza e denunciou a incredulidade das cidades que presenciaram milagres. Em seguida, declarou o convite universal: “Vinde a mim todos os que estais cansados.”

No conflito com os fariseus, Jesus explicou que misericórdia vale mais do que sacrifícios. Realizou curas no sábado, enfrentou acusações de agir por Belzebu e ensinou que o Reino cresce silencioso, como o grão de mostarda e o fermento. Em diversas parábolas — do semeador, do joio, do tesouro escondido, da pérola de grande valor e da rede — Jesus revelou os mistérios do Reino. Também foi rejeitado em Nazaré.

Depois da morte de João Batista, Jesus multiplicou os pães para cinco mil e depois para quatro mil pessoas, andou sobre as águas e continuou a ensinar a respeito da fé. Num momento decisivo, em Cesareia de Filipe, Pedro confessou que Jesus é o Cristo; Jesus anunciou sua paixão e começou a instruir a respeito do caminho da cruz. Logo depois ocorreu a Transfiguração no Monte Tabor, na presença de Pedro, Tiago e João.

Jesus continuou com os seus ensinamentos a respeito da humildade, do perdão ilimitado, da pureza de intenção e da vida comunitária. Em confrontos com fariseus, aprofundou temas como divórcio, riqueza e justiça. Abençoou as crianças e destacou a simplicidade como porta do Reino. No caminho para Jerusalém, contou parábolas que revelam o juízo e a misericórdia de Deus, como a dos trabalhadores da vinha, dos dois filhos, dos vinhateiros homicidas e das bodas reais.

Ao entrar em Jerusalém como Rei humilde, Jesus purificou o Templo e enfrentou longos debates com os líderes religiosos. Denunciou a hipocrisia dos fariseus com os famosos “ais” e lamentou Jerusalém. No discurso do Monte das Oliveiras, anunciou a destruição do Templo, vigílias escatológicas e parábolas finais a respeito da preparação: as dez virgens, os talentos e o juízo das nações.

Na Páscoa, uma mulher ungiu Jesus em Betânia. Na Última Ceia, anunciou a traição e o sacrifício e da nova aliança. No Getsêmani, orou em agonia até ser preso. Seguiram-se o julgamento religioso, a negação de Pedro, a condenação por Pilatos, as zombarias, a crucificação, a entrega do Espírito e o véu do Templo rasgado, o que marcou o impacto cósmico da morte do Messias. Ele foi sepultado e guardas foram postos para vigiar o túmulo.

No primeiro dia da semana, um anjo anunciou às mulheres que Jesus ressuscitou. Ele apareceu a elas e depois aos discípulos na Galileia, onde entregou a Grande Missão: “Ide, fazei discípulos de todas as nações” e encerrou o Evangelho com a promessa: “Eu estarei convosco todos os dias.”  

Em nossa obra Tratado dos Evangelhos, os Evangelhos de Mateus, Marcos, Lucas e João são estudados de forma profunda e criteriosa. Cada passagem evangélica é analisada à luz do contexto histórico, moral e espiritual, o que permite compreender não apenas os fatos narrados, mas, sobretudo, o sentido mais elevado de suas lições. Trata-se de um estudo que convida à reflexão, ao autoconhecimento e à vivência prática dos ensinamentos do Cristo no cotidiano.

EMÍDIO BRASILEIRO é escritor e palestrante do CEIS

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